Cerimônia Emocionante em Homenagem à Ialorixá
A missa de sétimo dia em memória da revered ialorixá Mãe Carmen foi realizada na Igreja Nossa Senhora da Vitória, em Salvador. O evento foi organizado pelo Terreiro do Gantois, em parceria com a Associação de São Jorge Ebé Oxóssi, e contou com a presença de familiares, filhos e filhas de santo, além de representantes de diversas comunidades de matriz africana. A celebração, marcada por um profundo respeito e emoção, destacou a trajetória religiosa e social de Mãe Carmen, que deixou um legado indelével na cultura afro-brasileira.
Mãe Carmen, que faleceu no dia 26 de dezembro, esteve internada por duas semanas no Hospital Português devido a complicações de uma gripe forte. A ialorixá, que assumiu a liderança do Terreiro do Gantois em 2002, foi a quinta a ocupar essa posição na linhagem de suas antecessoras, que incluem figuras importantes na história do candomblé, como Maria Júlia da Conceição Nazareth e Cleusa Millet.
A celebração também foi marcada pela interpretação da música “A Força do Gantois”, composta pelo sambista Nelson Rufino e lançada em 2011, que reverencia a força e a importância do terreiro na comunidade. Este tributo musical ressaltou não apenas a figura de Mãe Carmen, mas também a resistência e a vitalidade da cultura afro-brasileira.
A Influência de Mãe Carmen na Cultura Afro-Brasileira
Nascida em 1926, Carmen Oliveira da Silva era a filha mais nova de Maria Escolástica de Conceição Nazaré, conhecida como Mãe Menininha, uma importante ialorixá que também conduziu o Terreiro do Gantois. Ao longo de mais de duas décadas, Mãe Carmen se tornou uma das guardiãs mais respeitadas da espiritualidade e da cultura negra no Brasil. Seu trabalho se estendeu além dos limites da religião, promovendo ações significativas para a comunidade do Gantois, focando na educação e no fortalecimento da identidade cultural.
Em maio de 2023, ela foi agraciada com a comenda Maria Quitéria, honraria que reconhece o empenho de mulheres que atuam em prol de Salvador e da Bahia. Essa distinção é um testemunho da relevância de suas contribuições sociais e culturais. Além disso, em 2010, Mãe Carmen recebeu a “Medalha dos 5 Continentes ou da Diversidade Cultural”, concedida pela Unesco, em reconhecimento ao seu trabalho pelo diálogo inter-religioso e pela preservação das tradições africanas.
Dentro do universo cultural, Mãe Carmen implementou iniciativas que garantiram acessibilidade às referências da religiosidade de matriz africana na Bahia. Ela ofereceu cursos de ritmos, danças, bordados tradicionais e outras manifestações artísticas, assegurando que as novas gerações não perdessem a conexão com suas raízes. Esse empenho em promover a cultura não apenas fortaleceu a comunidade em que atuava, mas também impactou a sociedade baiana como um todo.
Legado Duradouro e Homenagens Finais
Com seu falecimento, o Gantois e a comunidade afro-brasileira perderam uma figura de liderança e respeito. Seu legado, no entanto, continua vivo por meio das ações e dos ensinamentos que deixou. Um familiar presente na missa expressou que “a história de Mãe Carmen é um reflexo da força de nossa cultura e espiritualidade. Ela sempre será uma fonte de inspiração para todos nós”. Essa frase resume o sentimento de um povo que, por meio de suas tradições, busca a continuidade e a valorização de sua identidade.
A missa de sétimo dia não foi apenas uma cerimônia de despedida, mas uma afirmação da importância de Mãe Carmen na luta pela preservação da cultura afro-brasileira e da espiritualidade que a acompanha. O Gantois permanece, assim, como um espaço de resistência, ancestralidade e amor à cultura, sempre guiado pelos passos firmes que Mãe Carmen deixou.
