Mudanças políticas e desafios na Bahia
No dia 29 de setembro, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, confirmou que a secretária-executiva Miriam Belchior assumirá o comando do ministério a partir do momento em que ele deixar o cargo para concorrer nas eleições de 2026. De acordo com Rui Costa, essa decisão foi formalmente chancelada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O ministro permanecerá em sua função até o último dia de março, garantindo uma transição tranquila no início de abril.
A escolha de Miriam Belchior é encarada como uma forma de dar continuidade aos projetos estratégicos do governo, incluindo o Novo PAC. Rui Costa ressaltou que a prioridade de Lula é promover nomes que já fazem parte das equipes ministeriais.
“Ela já exerceu a função de ministra do Planejamento e é uma profissional excepcional, extremamente dedicada e tecnicamente competente. Não haverá descontinuidade, pois a equipe permanecerá a mesma”, afirmou Rui Costa durante entrevista à Rádio 95 FM de Jequié.
Chapa Puro-Sangue e Desafios na Bahia
A saída de Rui Costa da Casa Civil marca também seu retorno ao cenário político da Bahia, onde se prepara para compor uma chapa majoritária do PT ao Senado, ao lado do senador Jaques Wagner (PT-BA). Contudo, essa formação, chamada de “chapa puro-sangue”, gerou um impasse com o PSD, partido que tem se mostrado resistente a ceder sua cadeira no Senado em favor de uma chapa composta exclusivamente por petistas. O atual senador Angelo Coronel (PSD), que busca a reeleição com o apoio do grupo governista liderado pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT), vê sua situação complicar com essa movimentação.
A decisão de Rui Costa de lançar-se ao Legislativo federal, com apoio de Lula, representa um desafio à unidade da base aliada na Bahia. O PSD é um dos principais pilares de sustentação política no estado, controlando centenas de prefeituras.
Reforma Ministerial em Grande Escala
A movimentação na Casa Civil é apenas uma parte de uma ampla reforma ministerial que promete ser recorde. A expectativa é de que 23 dos 38 ministros deixem o governo até abril, para concorrer a cargos eletivos. Além de Rui Costa, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também indicou que deve deixar sua função em fevereiro. Embora Haddad não tenha confirmado o nome de seu secretário-executivo, Dario Durigan, como sucessor, o modelo de substituição técnica é visto como um padrão a ser seguido pelo Planalto.
Lula defende a manutenção das equipes como uma forma de evitar a descontinuidade em projetos essenciais, especialmente a poucos meses das eleições. “O presidente acredita que fazer mudanças drásticas nesse momento não é sensato”, explicou Rui Costa.
Entre os outros nomes que podem deixar o primeiro escalão estão Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), Simone Tebet (Planejamento) e Marina Silva (Meio Ambiente).
Estratégias para o Senado e Palanques Regionais
A estratégia do PT de nacionalizar as candidaturas de seus principais ministros busca fortalecer a bancada no Senado e garantir palanques regionais robustos para a reeleição de Lula. Na Bahia, a avaliação é de que a dupla Jaques Wagner e Rui Costa possui capital político suficiente para vencer a disputa, apesar do risco de uma fratura nas relações com o PSD de Angelo Coronel e Otto Alencar (PSD).
Nos próximos dois meses, Rui Costa focará em concluir as entregas prioritárias da Casa Civil antes de se dedicar integralmente à campanha na Bahia. A entrada de Miriam Belchior na liderança do ministério assegura que a interlocução com governadores e prefeitos, além da gestão dos investimentos federais, permaneçam sob o controle de uma profissional de total confiança do Palácio do Planalto e do próprio ministro que está se despedindo.
