Memória e Protagonismo Indígena no Cenário Cultural
A cantora e compositora indígena Beatriz Tuxá foi a responsável por abrir o terceiro e último dia do ‘Encontro Baiano de Livro, Leitura e Memória’, promovido pela Fundação Pedro Calmon, realizado nesta quarta-feira (29). O evento, que faz parte das celebrações dos 40 anos da FPC/Secult-BA, teve lugar na Biblioteca Central do Estado da Bahia, localizada nos Barris. Durante sua apresentação, Beatriz apresentou canções autorais e declamou poesias que abordam sua vivência e destacam os povos indígenas como protagonistas de suas próprias narrativas.
Originária de Ibotirama, no oeste baiano, Tuxá enfatizou que quando fala sobre a arte e cultura dos povos indígenas, refere-se a “arquivos vivos”. Para ela, ao discutir a memória, é como se retornasse ao seu território, visto que “é uma memória que não se tem em livro”. Esse conceito traz à tona a importância da oralidade e das tradições passadas de geração em geração.
A cantora ainda destacou que, dentro das comunidades indígenas, o conhecimento é transmitido por meio dos “árvores ancestrais”, como são carinhosamente chamados os mais velhos. “Estar aqui hoje, cantando e trazendo um pouco da minha arte e da minha história, é essencial. Estamos falando por nós mesmos, e não deixamos que outras pessoas falem por nós”, sublinhou Beatriz, ressaltando a relevância de sua participação no evento.
No mesmo dia, Beatriz anunciou a publicação de um artigo na Biblioteca Virtual Consuelo Pondé, que ocorreu na terça-feira (28). “O texto trata sobre memória, futuro e o protagonismo indígena. Não vou dar muitos detalhes, assim peço que vocês conferam [risos]”, comentou, instigando os participantes a lerem seu novo trabalho.
Após a experiência de participar de diferentes eventos literários, Beatriz Tuxá expressou sua satisfação: “É uma grande alegria ocupar esses espaços que também pertencem a nós por direito”. Essa frase reflete a luta e o reconhecimento dos direitos, tanto culturais quanto sociais, dos povos indígenas no Brasil, mostrando que a arte é uma poderosa ferramenta de resistência e afirmação identitária.
