FIEB Critica a Manutenção da SELIC em Níveis Elevados
No dia 28 de janeiro de 2026, a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) divulgou um posicionamento contundente contra a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa Selic em 15,0% ao ano. Segundo a FIEB, essa medida “penaliza o trabalho, asfixia o setor produtivo e compromete o desenvolvimento do País”.
A entidade classificou a decisão como “exagerada”, uma vez que a inflação acumulada nos últimos 12 meses está em 4,26%, um índice que se encontra abaixo do teto da meta estabelecida. A FIEB também destacou que as projeções do Banco Central indicam uma queda na inflação ao longo de 2026.
De acordo com a FIEB, a manutenção dos juros elevados desconsidera sinais de desaceleração da economia e penaliza a indústria nacional, que já enfrenta uma série de desafios, incluindo altos custos operacionais, crédito caro e escasso, carga tributária elevada e distorções tarifárias que corroem sua competitividade e afetam a geração de empregos.
A nota da FIEB pontua ainda que, conforme os dados mais recentes, o crescimento da economia no terceiro trimestre foi de apenas 0,10%, um sinal claro de que a atual política monetária não está acompanhando a realidade do setor produtivo.
Uma comparação com a política monetária de outros países revela o descompasso da taxa Selic em relação a índices internacionais. O Federal Reserve dos Estados Unidos, por exemplo, opera com uma taxa de referência entre 3,50% e 3,75%, enquanto o Banco Central Europeu mantém os juros em 2,15%. O Banco Central do México, um país também emergente, apresenta uma taxa de 7,0% ao ano. Em contraste, o Brasil se mantém em patamares muito mais altos.
Adicionalmente, o ambiente econômico global está repleto de incertezas, com crescente protecionismo comercial e volatilidade nas cadeias de suprimento, fatores que atingem diretamente a indústria e as exportações brasileiras. Regiões com perfis industriais e exportadores, como a Bahia, enfrentam impacto significativo, exigindo uma resposta eficaz para restabelecer competitividade e fomentar investimentos.
Para a FIEB, manter a Selic em 15% não é apenas um desvio momentâneo; é uma escolha que prejudica o trabalho e sufoca o setor produtivo, portanto, a entidade solicita ao Banco Central uma revisão urgente dessa estratégia monetária.
