Presidente Lula Enfatiza Necessidade de Mudanças na ONU
No último sábado (21), durante sua participação no 1º Fórum de Alto Nível Celac-África, realizado em Bogotá, na Colômbia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez duras críticas à atuação da Organização das Nações Unidas (ONU) e, em particular, ao Conselho de Segurança. Segundo Lula, o órgão, que deveria atuar na promoção da paz, acabou se tornando um promotor de guerras, citando exemplos recentes de conflitos na Faixa de Gaza, na Ucrânia e no Irã.
“O Conselho de Segurança da ONU e seus membros permanentes foram criados para tentar manter a paz, e são eles que estão fazendo as guerras”, afirmou o presidente brasileiro, demonstrando indignação com a ineficácia da organização em resolver os conflitos. Ele expressou sua indignação pela passividade da ONU diante das crises humanitárias que ocorrem em várias partes do mundo.
Lula enfatizou que o Conselho de Segurança falhou em sua missão ao não conseguir intervir em situações críticas, como as que envolvem Gaza, Líbia, Iraque, e Irã. Em suas palavras, a dinâmica de poder internacional é dominada por aqueles que possuem mais recursos bélicos e financeiros: “Quem tem mais canhão, mais navio, mais avião e mais dinheiro se acha dono do mundo”.
O presidente também ressaltou a urgência de uma reforma no Conselho de Segurança, defendendo uma maior representação de países da América Latina e da África. Ele questionou: “Quando é que a ONU vai convocar uma reunião extraordinária para que a gente decida qual é o papel dos membros do Conselho de Segurança? Por que não se renova? Por que não se coloca mais países representando o Conselho de Segurança da ONU?”.
Lula considerou que o mundo vive um dos períodos mais conflituosos desde a Segunda Guerra Mundial, destacando a disparidade entre os gastos militares e a persistente fome que afeta milhões. “Enquanto se gastou no ano passado US$ 2,7 trilhões em armas e guerras, ainda temos 630 milhões de pessoas passando fome”, criticou o presidente.
A 67ª edição do Balanço Militar, publicada no mês passado, apontou que os gastos militares globais atingiram o maior patamar desde 1945, com um crescimento de 2,5% em relação a 2024, somando US$ 2,63 trilhões. Por outro lado, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) aponta que entre 638 e 720 milhões de pessoas enfrentaram a fome em 2024.
Durante seu discurso, Lula relembrou seu histórico de negociações sobre o Irã, ressaltando que, em 2010, havia trabalhado para um acordo em Teerã sobre enriquecimento de urânio — uma proposta que, segundo ele, contava com o apoio do então presidente dos EUA, Barack Obama. Contudo, Lula criticou que tanto os EUA quanto a Europa não honraram o acordo e impuseram sanções ainda mais severas ao país. “Depois de alguns anos, foram fazer outro acordo pior do que aquele que a gente tinha feito”, lamentou.
O presidente também abordou a disputa global por minerais críticos e terras raras, alertando que países da América Latina e da África ainda lidam com as consequências da colonização. Ele destacou que potências externas tentam repetir lógicas históricas de exploração, e defendeu que a região não deve ser apenas exportadora desses recursos, mas sim absorver investimentos que possibilitem a produção local.
Além disso, Lula se comprometeu a manter o Atlântico Sul como uma zona de paz e anunciou que o Brasil sediará uma reunião ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul no próximo dia 9 de abril.
