Tássio Brito Fala sobre as Diretrizes de Lula para a Chapa na Bahia
No contexto das discussões sobre a composição da chapa para as próximas eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retornou à Bahia nesta sexta-feira (23), para participar de um evento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Durante essa visita, o dirigente do PT da Bahia, Tássio Brito, revelou que, embora Lula ofereça seu apoio, ele não impõe nomes para a chapa no estado.
A declaração de Brito surge em um momento em que o senador Otto Alencar (PSD) mencionou que o presidente deve ter uma participação ativa nas decisões referentes à formação da chapa governista na região. Em resposta, Brito enfatizou a confiança que Lula deposita em líderes locais como o governador Jerônimo Rodrigues (PT), o senador Jaques Wagner (PT) e o ministro Rui Costa, da Casa Civil.
“A Bahia sempre conduziu e pilotou seus próprios processos políticos, pois possui a confiança do presidente Lula”, declarou. Ele ainda recordou um episódio em que Wagner, ao ser candidato ao governo do estado, notou que Lula não acreditava em sua vitória, mas confiou na decisão regional. Durante a entrevista ao Aratu On, ele comparou essa situação com a escolha de Jerônimo Rodrigues como candidato na última eleição.
“Que decisão mais inesperada do que a escolha de Jerônimo na última eleição? Não era um nome muito conhecido, mas Lula tinha certeza de que a decisão viria de um debate interno sobre quem seria o melhor nome para vencer e governar eficientemente”, refletiu.
Em Busca de uma Chapa Competitiva
Sobre a formação da chapa majoritária, Brito comentou que as negociações continuam em andamento e assegurou que nenhum partido da base governista será prejudicado nesse processo. Ao ser questionado sobre a possibilidade de uma chapa “puro-sangue” que visaria fortalecer a candidatura de Jerônimo, que, segundo ele, possui uma popularidade menor em comparação com Wagner e Rui Costa em suas reeleições, o presidente do PT negou tal intenção.
“Atualmente, o contexto político é distinto de épocas anteriores, marcado por uma polarização maior e disputas mais acirradas. Estamos vivendo tempos onde as eleições acontecem com margens de votação bastante apertadas, como a do Jerônimo, que foi 53% a 47%. O que precisamos agora é montar uma chapa realmente competitiva”, enfatizou.
Brito ainda refutou a ideia de que Jerônimo esteja enfrentando um momento de baixa popularidade, ressaltando que sempre que está ao lado do governador, ele é bem recebido e aclamado.
Participação de Lula no Evento do MST em Salvador
Durante sua agenda em Salvador nesta sexta-feira (23), Lula vai participar do encerramento do 14º Encontro Nacional do MST, que acontece no Parque de Exposições da capital. Este evento marca o retorno de uma ocasião que não ocorria há 17 anos e deve reunir cerca de 3 mil pessoas.
Além de sua participação, o presidente também deve anunciar novas medidas relacionadas ao movimento. O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, que já enfrentou críticas do MST sobre sua capacidade de lidar com desafios estruturais da reforma agrária, está sob os holofotes. Os membros do movimento chegaram a sugerir sua substituição devido a essas questões.
Brito reforçou que a relação entre o governo e o MST é de alinhamento com o projeto de Lula e do governador Jerônimo, especialmente na Bahia. Contudo, destacou que existem limites que os governos enfrentam, que os movimentos sociais não têm. “O MST desempenha seu papel, e essa é uma disputa legítima dentro de um governo de coalizão”, afirmou.
A expectativa, conforme suas declarações, é que ações significativas para a reforma agrária sejam anunciadas. “Mais de 70% dos alimentos consumidos no Brasil provêm da agricultura familiar, e não do agronegócio. Trata-se de uma produção mais saudável, livre de venenos, e essencial para a alimentação do povo brasileiro”, concluiu.
