Percepções e Realidades da Gestão
Após três anos à frente do governo da Bahia, Jerônimo Rodrigues ganhou um apelido que se tornou recorrente nos círculos políticos: “governador do Zap”. Essa designação reflete a visão predominante entre prefeitos, deputados e lideranças locais de que a principal marca da sua administração é a agilidade para responder às demandas pelo WhatsApp, em detrimento de avanços concretos em obras ou políticas públicas estruturais.
Nos bastidores, muitos aliados e gestores municipais exaltam a capacidade do governador de estar próximo da população. Contudo, quando são indagados sobre conquistas tangíveis, a maioria encontra dificuldades para apresentar resultados. Conversas informais expõem desabafos que revelam um certo desconforto: a aparente escassez de entregas visíveis para mostrar à população está gerando uma crescente insatisfação. O clamor popular por resultados mais palpáveis se intensifica, e a comunicação via WhatsApp já não é suficiente para apaziguar os ânimos.
A Dinâmica do Interior e a Crítica às Promessas
No interior do estado, essa dinâmica se torna ainda mais notável. Em Luís Eduardo Magalhães, o prefeito Júnior Marabá, que se alinha ao bolsonarismo, afirmou que não faria campanha contra Jerônimo, considerando-o um amigo pessoal. No entanto, essa declaração não repercute de forma significativa entre os eleitores e é vista como um gesto político que se distancia das reais prioridades da comunidade.
As grandes promessas da administração de Jerônimo têm sido alvo de críticas constantes. A esperada ponte Salvador–Itaparica não apresenta avanços visíveis à população. A Ferrovia Oeste-Leste ainda enfrenta obstáculos persistentes, enquanto o Porto Sul continua envolto em incertezas. Mesmo intervenções menores, como a reforma do Estádio Adauto Moraes em Juazeiro, prometida com prazos e custos definidos, não progrediram conforme anunciado.
Desafios no Semiárido e Descontentamento Regional
No semiárido baiano, a situação é ainda mais crítica. Comunidades lidam com a seca e a falta de água diariamente, mas projetos de infraestrutura essenciais só têm previsão de conclusão para 2049, o que reforça a sensação de abandono e a percepção de que as soluções são sempre tardias.
No Extremo Sul do estado, líderes locais destacam o cancelamento de convênios destinados à construção e reforma de escolas como um fator de desgaste para a administração. Relatos indicam que essa decisão pode estar enraizada em motivações políticas, resultando em obras paralisadas e exacerbando a frustração regional.
Legado e Expectativas Futuras
Projetos como o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Salvador e a nova Rodoviária da capital são frequentemente mencionados, mas são geralmente considerados como iniciativas herdadas de gestões anteriores. Poucas ações iniciadas do zero pela atual administração conseguiram se destacar a ponto de serem reconhecidas como marcas próprias de Jerônimo.
Além disso, analistas políticos assinalam que Jerônimo Rodrigues está inserido em um ciclo de poder que se estende por mais de duas décadas, envolvendo figuras como Lula, Jaques Wagner e Rui Costa. Sua gestão ocorre dentro de uma continuidade que abrange tanto os sucessos quanto os desafios acumulados ao longo desse período.
À medida que o WhatsApp se mantém como um canal privilegiado de comunicação, a população baiana demonstra uma ansiedade crescente em relação à cobrança de resultados concretos. A expectativa agora é que a prestação de contas ocorra através de caminhos mais tradicionais, com entregas efetivas visíveis no cotidiano dos cidadãos.
