Aumento de Preços e Setores em Destaque
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou uma alta de 0,70% em fevereiro de 2026, acumulando um crescimento de 1,03% no ano. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice de fevereiro foi 0,37 ponto percentual superior à variação de janeiro, que foi de 0,33%, mas se revelou menor do que a mesma época do ano passado, quando a alta foi de 1,31%.
Nos últimos 12 meses, o IPCA acumula um crescimento de 3,81%, significativamente abaixo dos 4,44% registrados até dezembro do ano anterior. Este resultado deixou a inflação mais próxima da meta estabelecida pelo Banco Central, de 3,0%, levando em conta a margem de erro de 1,5%. Essa tendência pode ter repercussões nas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), que se reunirá na próxima semana para discutir possíveis cortes na taxa de juros, sendo esperado um ajuste inicial de 0,25% ou até mesmo 0,50%.
Educação é o Principal Motor do IPCA
Entre os grupos avaliados, o setor de Educação foi o que apresentou a maior variação, com um aumento de 5,21% e impactando o índice em 0,31 ponto percentual, o que corresponde a cerca de 44% do total. A alta se deve, em grande parte, aos reajustes que ocorrem no início do ano letivo, com os cursos regulares sendo os principais responsáveis. Dentro do setor educacional, as maiores variações foram observadas no ensino médio (8,19%), fundamental (8,11%) e pré-escola (7,48%).
O grupo de Transportes, que também teve destaque, registrou uma variação de 0,74%, contribuindo com 0,15 ponto percentual para o índice geral. Esse aumento foi impulsionado principalmente pela alta de 11,40% nas passagens aéreas, além de variações significativas no seguro voluntário de veículos (5,62%), conserto de automóveis (1,22%) e ônibus urbano (1,14%). O IBGE também mencionou uma queda de 0,47% nos combustíveis, com redução nos preços da gasolina (-0,61%) e do gás veicular (-3,10%), enquanto o etanol (0,55%) e o óleo diesel (0,23%) apresentaram aumentos.
O Impacto de Outros Grupos no IPCA
No que diz respeito ao grupo Saúde e Cuidados Pessoais, observou-se uma alta de 0,59%, com destaque para os produtos de higiene pessoal (0,92%) e planos de saúde (0,49%). A variação em Habitação foi de 0,30%, revertendo uma queda de 0,11% em janeiro, impulsionada pela taxa de água e esgoto (0,84%).
A energia elétrica residencial, por sua vez, teve uma variação de 0,33% em fevereiro, mantendo a bandeira tarifária verde. O gás encanado, no entanto, apresentou uma redução de 1,60%.
O grupo de Alimentação e Bebidas também viu uma ligeira aceleração, passando de 0,23% em janeiro para 0,26% em fevereiro. A alimentação no domicílio, que registrou 0,10% em janeiro, subiu para 0,23% no último mês analisado.
Os Principais Alimentos em Alta e em Queda
O levantamento dos principais movimentos nos preços de alimentos evidenciou alguns produtos com destaque. Entre os que mais subiram estão:
- Açaí — 25,29%
- Feijão-carioca — 11,73%
- Ovo de galinha — 4,55%
- Carnes — 0,58%
Por outro lado, alguns itens apresentaram quedas, como:
- Frutas — -2,78%
- Óleo de soja — -2,62%
- Arroz — -2,36%
- Café moído — -1,20%
A alimentação fora do domicílio também registrou aumento de 0,34% em fevereiro, embora tenha desacelerado em relação ao mês anterior, que foi de 0,55%. Essa desaceleração foi especialmente visível na categoria lanche, que passou de 0,27% para 0,15%, assim como na refeição, que caiu de 0,66% para 0,49%.
