Sete Projetos de Mineração em Fase Pré-Operacional
Um total de sete projetos de mineração de terras raras no Brasil está atualmente em fase pré-operacional, com investimentos que chegam a impressionantes R$ 13,2 bilhões. O foco dos investidores, tanto nacionais quanto internacionais, recai sobre estados como Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe, onde as reservas brasileiras se destacam como as maiores do mundo, apenas atrás das chinesas.
Esses elementos são considerados estratégicos para setores cruciais, incluindo transição energética, tecnologia e defesa. Como destaca uma reportagem do Valor, “Esses metais poderiam desempenhar um papel fundamental na redução da dependência do Ocidente em relação à China, que detém 69% da produção global e 91% do refino de terras raras”. Os metais raros incluem 17 elementos, como lantânio, samário, térbio e lutécio, que embora sejam abundantes, apresentam desafios significativos em termos de extração e refino, que são caros e complexos.
Empresas em Destaque e Desafios no Licenciamento Ambiental
Entre as empresas mais ativas na exploração mineral no Brasil, muitas estão listadas em bolsas da Austrália, Canadá e até mesmo na Nasdaq. Algumas delas já têm operações previstas para iniciar em 2028. No Amazonas, o projeto da Brazilian Critical Minerals (BCM) representa um investimento de R$ 285 milhões. Andrew Reid, diretor-executivo da BCM, enfatizou que a prioridade para este ano é obter todas as licenças ambientais necessárias, embora ainda não haja uma data definida para o início das operações.
Por outro lado, as empresas Aclara Resources e Atlas Critical Minerals têm planos de investir R$ 4,5 bilhões em terras raras em Goiás, mas enfrentam desafios significativos, incluindo a complexidade do licenciamento ambiental, que envolve diversos órgãos, além da limitada presença de clientes no Brasil.
Vale mencionar que Goiás abriga a única mina em operação comercial do país, a Mineração Serra Verde, que recentemente garantiu um financiamento de US$ 565 milhões (equivalente a R$ 2,9 bilhões) junto ao DFC, um banco de desenvolvimento americano.
Investimentos em Minas Gerais e Barreiras Estruturais
No estado de Minas Gerais, cinco projetos estão em andamento, com investimentos estimados em R$ 9,5 bilhões, envolvendo empresas como Terra Brasil, Meteoric Resources, Atlas Critical Minerals, St. George Mining e Viridis Mining & Minerals.
Contudo, o Brasil ainda precisa lidar com diversas barreiras para transformar esses investimentos em realidade. Entre os principais obstáculos estão o licenciamento ambiental, que é muitas vezes complexo e demorado; a falta de contratos de “offtake” (acordos de compra e venda antecipada da produção); insegurança jurídica; e a ausência de políticas nacionais consolidadas para a exploração de minerais críticos. Além disso, as empresas juniores enfrentam dificuldades para acessar crédito, muitas vezes necessitando buscar capital fora do país.
