Um Ano de Luta Contra a Intolerância Religiosa
O delegado Ricardo Amorim, à frente da Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa da Bahia, revelou que impressionantes 99% dos casos atendidos pela unidade estão ligados a religiões de matriz africana. Completando um ano de atividades na próxima quarta-feira, dia 21, a delegacia surge em um momento emblemático, coincidente com o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. A inauguração da unidade teve como objetivo investigar crimes motivados por intolerância religiosa, racismo e LGBTfobia, e seu impacto tem sido evidente na ampliação da percepção sobre a importância de denunciar esses atos, que antes eram frequentemente subnotificados.
Durante o primeiro ano de funcionamento, a Decrin concentrou esforços na divulgação de seus serviços e na capacitação de sua equipe, composta por profissionais com vivência nas temáticas abordadas. O delegado enfatizou que a visibilidade crescente da unidade resultou em um aumento significativo no registro de ocorrências. Muitas vítimas, que antes não se viam como tal, estão buscando apoio pela primeira vez. Esse aumento, de acordo com Amorim, não necessariamente reflete um crescimento real da violência, mas sim uma maior confiança da população nas instituições de segurança e na proteção de seus direitos.
A Importância da Conscientização e Educação
Para o futuro, a Decrin planeja intensificar suas ações educativas e de conscientização, com o objetivo de informar a população sobre seus direitos e a gravidade dos crimes de intolerância. Essa tarefa se revela um desafio constante, especialmente em comunidades que ainda não conhecem o trabalho da delegacia. A expectativa é que, por meio de um trabalho mais próximo da sociedade civil, a unidade se solidifique como uma referência no combate à intolerância religiosa e na promoção da justiça. A conscientização é um pilar fundamental para que mais vítimas se sintam encorajadas a denunciar abusos e preconceitos.
A atuação da delegacia, portanto, não se limita apenas à repressão dos crimes, mas também abrange um esforço contínuo de aproximação com a comunidade, destacando a importância de um diálogo aberto e transparente. A intenção é criar um ambiente onde as vítimas se sintam seguras e amparadas, sabendo que possuem um espaço para relatar suas experiências sem medo de represálias.
Além disso, o delegado Amorim ressalta a relevância de parcerias com organizações e grupos da sociedade civil que atuam na defesa dos direitos humanos e da diversidade religiosa. Essas colaborações podem potencializar as ações da Decrin e ampliar o alcance das suas iniciativas, tornando a luta contra a intolerância religiosa uma causa coletiva.
Como reflexo dessa necessidade, iniciativas como palestras, oficinas e eventos comunitários estão sendo planejadas, visando trazer mais informação e sensibilização sobre o respeito à diversidade religiosa. A ideia é que a população compreenda não apenas a importância de respeitar as diferentes crenças, mas também o papel crucial que cada cidadão desempenha na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
