Um Novo Horizonte para a Indústria Criativa na Bahia
A economia criativa na Bahia vive um momento de otimismo, especialmente em Salvador, onde a fundadora da Afrocentrados Conceito, Cynthia Paixão, introduz o primeiro hub digital voltado para negócios de impacto e inovação afro do estado. Esse movimento não apenas alimenta a expectativa em torno do Carnaval, mas também se destaca em um contexto de crescimento que contrasta com a retração nacional.
No mês de fevereiro, a Bahia se destaca com um salto significativo de 18,9% na indústria criativa, conforme dados do “Mapeamento da Indústria Criativa no Brasil” (2022). Nesse estudo, a Firjan aponta que o setor cultural no estado criou 8,8% mais vínculos empregatícios, enquanto a média nacional registrou uma queda de -7,2%. Esse cenário é especialmente promissor, considerando que a Bahia e Alagoas foram os únicos estados a apresentar variação positiva no triênio de pré-pandemia.
O novo relatório da Firjan, previsto para 2025, mantém a Bahia na 5ª posição em termos de participação dos profissionais de cultura na indústria criativa. Cynthia Paixão ressalta que, apesar dos números encorajadores, a realidade dos empreendedores afrodescendentes ainda é desafiadora. “O estudo revela a riqueza criativa da Bahia, mas muitos empreendedores enfrentam dificuldades em obter um retorno justo, revelando uma ‘vulnerabilidade invisível’ que precisa ser abordada”, comenta.
A Iniciativa Afrocentrados e o Empoderamento da Comunidade Negra
Por meio da Afrocentrados, que movimenta mais de meio milhão de reais, Cynthia procura transformar a antiga loja colaborativa em um hub de negócios inovador, aproveitando o crescimento do mercado para fortalecer o empreendedorismo negro. “Queremos tirar proveito do aquecimento do período de Carnaval para impulsionar essas marcas e garantir que o retorno seja benéfico tanto para os negócios quanto para a comunidade afroempreendedora de Salvador”, explica.
Com cinco anos de experiência, a CEO da Afrocentrados destaca a importância da autonomia e da resistência na trajetória dos afroempreendedores. “Sem suporte de editais governamentais ou financiamentos de instituições, conseguimos crescer através do autofinanciamento e de uma rede de apoio entre mulheres e criativos. O cenário atual exige formação e tecnologia para que os negócios escalem de forma sustentável”, destaca Paixão.
A realidade é que, apesar do potencial da indústria criativa, muitos talentos se perdem no caminho devido à falta de suporte. “A Bahia já mostrou bons resultados, mas para que a estatística seja ainda mais positiva, decidimos agir. Estamos migrando de um modelo de ‘vitrine’ para um de aceleração de negócios”, completa.
Afrocentrados Hub: Conectando Criatividade e Mercado Global
A Afrocentrados Hub se propõe a corrigir uma distorção histórica da economia criativa ao conectar talentos negros a mercados amplos, utilizando a tecnologia como aliada. “Nosso objetivo é profissionalizar, acelerar e conectar marcas negras a um mercado real. Criatividade sem estrutura se transforma em sobrevivência”, diz Cynthia.
Desenvolvido em parceria com a plataforma WBuy, o hub está em fase de adesão e promete levar a estética e a identidade baiana para consumidores ao redor do mundo. A integração entre o ambiente físico e digital será um dos pilares da sustentabilidade do negócio, unindo a loja virtual à tradicional instalação do Shopping Bela Vista, que contará com suporte administrativo e operacional reforçado.
Além disso, a Afrocentrados Hub se coloca como um marketplace focado em apoiar marcas negras, ampliando sua atuação com a introdução de novas marcas na plataforma. “Estamos criando um canal estruturado para multicomercialização e visibilidade, o que conectará empreendedores negros a um mercado mais amplo e qualificado na indústria criativa”, afirma.
Desenvolvimento Sustentável e Equidade na Indústria Criativa
Embora os números mostrem crescimento, Cynthia enfatiza que “crescer sem equidade não é desenvolver”. A Bahia pulsa com a criatividade negra e, apesar dos resultados positivos, ainda carece de medidas que transformem esse potencial em autonomia financeira para aqueles que estão na base da cadeia produtiva. “A Afrocentrados e o nosso Hub têm como missão romper esse ciclo, visando a transformação de talentos em negócios sustentáveis e oportunidades reais para a comunidade afrobrasileira”, conclui.
