Mortes de Animais Silvestres: Uma Realidade Alarmante
No oeste da Bahia, o futuro de várias espécies de animais silvestres, incluindo algumas raras e em risco de extinção, permanece incerto. Documentos recentes e relatos confirmam que esses animais continuam a se afogar em canais e reservatórios de água destinados à irrigação agrícola.
Na tragédia que se desenrola na região, não são apenas pequenos animais que sofrem: um tamanduá-bandeira e um lobo-guará também foram vítimas, totalizando quatro casos da espécie monitorada pela ONG Associação Onçafari. O último lobo-guará perdeu a vida em um “piscinão”, enquanto os outros três foram encontrados em canais. A ONG, no entanto, não se manifestou para comentar a situação.
O agronegócio irrigado é a principal força econômica do oeste baiano, onde se cultivam extensas áreas de soja, milho e algodão, além de feijão, sorgo, café e gado. Este megapolo é, em sua maioria, voltado para a exportação. Para isso, fazendas da região captam diariamente centenas de milhões de litros de água.
Como já foi reportado por O Eco, canais e reservatórios cobertos por membranas se tornaram verdadeiras armadilhas para os animais que tentam cruzá-los ou saciar sua sede. Ao caírem nesses sistemas, os animais lutam pela sobrevivência e acabam morrendo, incapazes de escalar as paredes escorregadias.
Na região, muitos imóveis rurais possuem canais com água exposta que se estendem por até 40 km. Durante uma ação de fiscalização, agentes ambientais se depararam com um cemitério de animais, com uma grande quantidade de carcaças e ossadas queimadas de espécimes afogados.
A questão dos afogamentos de animais não é nova; o governo da Bahia tem ciência do problema há pelo menos seis anos. Apesar de terem sido aplicadas multas de R$ 200 mil e propostas de medidas para reduzir as mortes, até o momento, ações efetivas são escassas.
Em uma inspeção realizada quase dois anos após a aplicação da multa, foi constatado que muitos trechos de canais e reservatórios ainda não possuem cercas ou estão com estruturas degradadas, além da presença de novas ossadas de espécies em risco.
Margareth Maia, diretora da ONG Instituto Mãos da Terra (Imaterra) e doutora em Ecologia pela UFBA, alerta: “A mortalidade de animais silvestres continua por conta da ausência de controle e da falta de medidas efetivas pelo órgão ambiental em relação às atividades do agronegócio na região”.
