Apelo por Devolução: O Valor Imaterial da Arte
No contexto da cena cultural curitibana, um incidente inusitado marcou a virada do ano de 2025 para 2026. Durante uma festa na Soma Galeria, uma das obras de Gustavo Magalhães, intitulada “A pele da pintura (para Dora Longo Bahia)”, desapareceu da parede do espaço. A peça, que faz parte do acervo permanente da galeria, é um dos trabalhos que expressa a fase contemporânea do artista, que atualmente reside em Curitiba. O furto ocorreu no dia 31 de dezembro de 2025, em meio às celebrações de Réveillon.
Com um currículo respeitável que inclui obras expostas no Museu Paranaense e no Museu de Arte do Rio de Janeiro, Gustavo Magalhães é um artista reconhecido no cenário nacional. Suas criações já foram exibidas em diversas exposições e ele recebeu indicações a prêmios relevantes, como o Prêmio PIPA e um reconhecimento da Biblioteca Nacional. Ao tomar conhecimento da perda, Magalhães se voltou para suas redes sociais, especificamente para seu Instagram, onde fez um apelo sincero solicitando a devolução da obra. Em sua postagem, o artista enfatizou a importância emocional e simbólica da peça em sua trajetória artística. Ele expressou o temor de que, em um ato desesperado, alguém possa danificar a obra para evitar problemas legais. Por isso, ele se dispôs a receber a tela de volta de forma anônima: “Eu só quero a pintura de volta. A obra pode ser devolvida de forma anônima à galeria, no endereço R. Mal. José Bormann, 730 – Bigorrilho, Curitiba – PR, 80730-350.”
A Esperança de Recuperação
À reportagem do Plural, Gustavo Magalhães compartilhou seu desejo de recuperar “A pele da pintura (para Dora Longo Bahia)”. Ele destacou que a prioridade é a segurança e a conservação da obra, ressaltando que se trata de um trabalho sensível e que necessita de cuidados especiais. “A recuperação é o que mais importa neste momento”, afirmou o artista.
Segundo Malu Meyer, diretora e proprietária da Soma Galeria, a instituição, que atua há cinco anos, não visa o comércio de arte atualmente. O espaço, que abriga uma coleção permanente com aproximadamente 50 obras de artistas paranaenses e brasileiros, se dedica à promoção da cultura local através de exposições temporárias, lançamentos de livros e performances teatrais. “O valor da obra desaparecida não é econômico, mas sim cultural. O real valor dela será reconhecido nos próximos 50 anos ou mais, dependente da trajetória de Gustavo”, explicou Malu. Ela também possui outras obras do artista e acredita em seu potencial para deixar um legado significativo na história da arte.
Entenda o Incidente
A festa em que ocorreu o furto, a Virada 2026 Soma Galeria, foi a segunda edição do evento. De acordo com Thiago Oliveira, um dos produtores do evento, cerca de 400 pessoas estavam presentes, com idades variando entre 20 e 60 anos. Os ingressos variavam de R$60 a R$170, enquanto a ceia e as bebidas eram cobradas à parte. Apesar do alto número de participantes, este foi o primeiro furto registrado no espaço. Oliveira confirmou que, por volta das 5 horas da manhã do dia 1º de janeiro, a obra ainda estava visivelmente exposta na galeria. Fotografias tiradas pela equipe de produção corroboraram essa informação. A falta de câmeras de segurança no local levantou questões sobre a segurança do espaço.
Ele expressou seu descontentamento com a situação e destacou que o público que frequenta a Soma geralmente valoriza a arte pela sua importância cultural, não apenas monetária. Tanto Malu Meyer quanto Thiago Oliveira se uniram a Gustavo Magalhães na busca pela recuperação da obra, enfatizando que não desejam penalizar os responsáveis pelo furto. Apesar de Malu ter registrado um boletim de ocorrência, todos permanecem esperançosos de que a cobertura da mídia possa levar à devolução anônima da obra.
Como Contribuir para a Recuperação da Obra
A devolução da obra “A pele da pintura (para Dora Longo Bahia)” pode ser feita de forma anônima na Soma Galeria, localizada na R. Mal. José Bormann, 730 – Bigorrilho, Curitiba – PR, 80730-350. Para quem tiver informações sobre o paradeiro da tela, é possível comunicar-se de maneira anônima com o jornal Plural, seja por meio das redes sociais ou através dos e-mails [email protected] e [email protected].
