Festival Mãos da Moda Bahia reúne público expressivo em Salvador
O Festival Mãos da Moda Bahia encerrou sua primeira edição no Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC Bahia), em Salvador, atraindo mais de 5 mil visitantes ao longo de três dias de programação. O evento se destacou por promover a aproximação entre marcas autorais baianas e grupos de artesãs têxteis de diferentes regiões do estado, gerando impacto direto na comercialização de produtos ligados à economia criativa local.
Organizado pela Nordestesse, em parceria com o Riachuelo Lab e o Programa do Artesanato da Bahia, vinculado à Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), o festival exibiu coleções produzidas ao longo de seis meses por seis marcas de moda que trabalharam em conjunto com seis grupos de artesãs. Ao todo, mais de 60 profissionais participaram da iniciativa.
Feira do artesanato movimenta vendas e público no MAC Bahia
A Feira do Artesanato foi um dos pontos altos do festival, reunindo 23 artesãos e coletivos baianos. Durante o evento, milhares de pessoas passaram pelos jardins do MAC Bahia para conhecer peças em renda, crochê, bordado, tecelagem e acessórios. Essa movimentação não apenas ampliou a visibilidade do artesanato local, mas também fortaleceu a geração de renda para dezenas de famílias envolvidas na produção.
Daniela Falcão, fundadora da Nordestesse, explicou que o projeto nasceu para estreitar os laços entre marcas autorais e grupos artesanais brasileiros, garantindo recursos para que a parceria resulte em coleções coesas que valorizem ambas as partes. Já Cathyelle Schroeder, CMO do Riachuelo, destacou que o Riachuelo Lab funciona como um espaço de experimentação e conexão entre talentos da moda e da cultura.
Leia também: I Festival do Artesanato Baiano Indígena e da Economia Solidária: Inscrições Abertas até 5 de Janeiro
Leia também: FABI atrai mais de 20 mil visitantes e impulsiona a renda através da valorização da cultura indígena
Coleções refletem ancestralidade e cultura baiana
Os desfiles do festival apresentaram coleções que dialogam com a ancestralidade, memória e tradições artesanais da Bahia. No sábado (23), a marca Areia abriu a programação com a coleção “Mimosa 2 Açucarados”, criada em parceria com a Associação das Mulheres Artesãs Padre André (AMAPA), de Correntina. A proposta trouxe referências à infância, aos erês e às celebrações populares, com bordados em tecidos como linho, tule e sarja.
Na sequência, a TEROY13, de Alexsandro Rodrigues e Albert Lefundes, apresentou “Vertigem Uma noite no ClubT13”, desenvolvida junto ao grupo Mulheres do Algodão de Guanambi. O desfile uniu elementos do streetwear, símbolos adinkras e técnicas artesanais específicas para a coleção.
Encerrando o sábado, a Inttuí, de Washington Carvalho, destacou a coleção “Pele de Céu”, produzida em parceria com a Rendavan, Associação de Rendeiras de Dias D’Ávila, com a renda de bilro como elemento central, conectando arquitetura, arte e memória.
Domingo reforça diversidade cultural e técnica artesanal
No domingo (24), a estilista Luciana Bortowski apresentou “Memórias para o Futuro”, criada com a Associação das Artesãs de Saubara. A coleção trouxe redes de pesca, flores e peixes confeccionados em bilro aplicados manualmente sobre rendas tingidas em aquarela.
Leia também: XVIII Rodada de Negócios do Artesanato da Bahia Gera Vendas de 20 Mil Peças
Leia também: Rouanet no Interior: Capacitação e Incentivo de até R$ 200 Mil para Cultura na Bahia
A marca Dua trouxe a coleção “Benditas”, inspirada na trajetória de mulheres negras alforriadas ligadas à Igreja da Barroquinha, em Salvador. Desenvolvida com 17 bordadeiras da Chitarte, a coleção combinou metal forjado, crivo artesanal e estampas da artista Hanna Gomes.
Fechando os desfiles, Adriana Meira apresentou “Rio que Conta”, inspirada nas artesãs dos quilombos da Barra, Riacho das Pedras e Bananal, região próxima ao rio Brumado, porta de entrada da Chapada Diamantina. A coleção dialogou com o ponto crivo rústico, as paisagens e as travessias locais.
Festival amplia visibilidade e fortalece economia criativa baiana
Para o coordenador executivo de Fomento ao Artesanato da Bahia, Weslen Moreira, eventos como o Festival Mãos da Moda Bahia ampliam a presença do artesanato baiano em novos mercados, promovendo a integração entre identidade, ancestralidade e inovação. Ele destaca que a iniciativa gera oportunidades de renda e fortalece a inserção dos artesãos baianos em espaços estratégicos no cenário nacional.
