Um Encontro Cultural que Fortalece Identidades Quilombolas
De 20 a 22 de março, Livramento de Nossa Senhora se transformou em um vibrante palco do 1° Festival Literário Quilombola, uma celebração que exaltou a cultura, a ancestralidade e a educação dos povos quilombolas. O evento, recheado de atividades variadas e envolventes, foi um convite à reflexão e à troca de saberes, reunindo rodas de conversa, mesas temáticas e ricas expressões culturais. Esse espaço promoveu o diálogo e o fortalecimento dos laços identitários da comunidade quilombola local.
Destacou-se, entre as atividades, a mesa temática “Educação Escolar Quilombola na Bahia: Desafios e Perspectivas”, que trouxe à tona discussões essenciais sobre os progressos e as dificuldades enfrentadas na educação dessas comunidades tradicionais. O debate contou com a presença do secretário municipal de Educação, Probo Meira, e de Nelci Conceição, uma liderança quilombola do município de Palma de Monte Alto, que integra o Fórum de Educação Escolar Quilombola na Bahia. Juntos, eles compartilharam reflexões sobre uma educação antirracista, que respeita e valoriza a história, a cultura e os direitos dos povos quilombolas.
As rodas de conversa também desempenharam um papel crucial ao promover um ambiente de escuta e troca de experiências entre os participantes, reforçando a importância dos vínculos comunitários e a construção coletiva do conhecimento. Esse aspecto foi particularmente valorizado, pois permitiu que vozes diversas se unissem em prol de um aprendizado mais inclusivo e representativo.
As manifestações culturais foram um dos pontos altos do festival, com apresentações belíssimas de samba de roda e reisado, realizadas pela comunidade quilombola de Olhos D’Água do Meio. A energia ancestral do grupo de capoeira Jogo de Dentro cativou o público, evidenciando a força e a riqueza das tradições afro-brasileiras, que sempre foram fundamentais na formação da identidade cultural do Brasil.
A presença de autoridades locais e de representantes da área cultural, como a presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte), Maria Marighella, conferiu ao evento um caráter institucional e simbólico significativo. Sua participação ressaltou a importância do festival como um espaço de valorização e reconhecimento das culturas quilombolas.
Durante os três dias de atividades, o Festival Literário Quilombola não apenas se consolidou como um espaço de celebração, mas também como uma plataforma de resistência, identidade e transformação social. Ele reafirmou o papel da literatura e das expressões culturais na luta pela valorização das vozes quilombolas, que muitas vezes são silenciadas na sociedade.
Este evento foi viabilizado através do Edital de Apoio às Festas, Feiras e Festivais Literários (n.º 01/2024), por meio do Programa Bahia Literária, com o suporte do Governo do Estado da Bahia e das Secretarias de Educação e Cultura, em parceria com a Fundação Pedro Calmon. O edital tem como objetivo promover ações culturais conforme o Decreto Federal n.º 11.453/2023, a Política Estadual de Cultura (Lei n.º 12.365/2011), o Plano Estadual de Cultura (Lei n.º 13.193/2014), o Plano Estadual de Educação da Bahia (Lei n.º 13.559/2016) e a Lei Federal n.º 14.133/2021.
Além disso, o projeto contou com o apoio cultural do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), que está vinculado à Secretaria de Educação do Estado, com a colaboração da Rádio Educadora FM e da TVE Bahia. Essa união de esforços demonstra um compromisso compartilhado em prol da valorização da cultura e da educação nos contextos quilombolas.
