Um Espaço de Alegria e Comunhão
A Barraca de Juvená se destaca como um local singular no contexto do Carnaval de Salvador, oferecendo um ambiente mais tranquilo longe da agitação intensa dos blocos e afoxés. Este espaço, com sua localização estratégica, permite que os foliões façam uma pausa na frenética Avenida e recuperem as energias antes de seguir pela Rua Carlos Gomes. Juvená, que está sempre presente, comanda o local como um verdadeiro ‘prefeito da folia’. O ambiente é familiar, perfeito para um dia de celebração e relaxamento, funcionando como um ponto de encontro para reabastecer as energias com uma cerveja bem gelada e colocar a conversa em dia.
Na última terça-feira, o grupo de amigos decidiu se reunir na Barraca de Juvená antes de assistir ao famoso desfile de travestis que acontece nas escadarias do Palácio dos Esportes. Esse evento é um verdadeiro espetáculo à parte no Carnaval baiano, um concurso de fantasias que ocorre tradicionalmente na madrugada da segunda-feira de Carnaval. As escadarias se transformam em uma passarela vibrante, onde a originalidade dos figurinos e a irreverência das performances encantam o público. Cada ano, os participantes exibem criações que variam de glamour hollywoodiano a expressões artísticas surpreendentes, garantindo risadas e aplausos dos presentes.
O Desfile do Ilê Aiyê
Após reabastecer as energias, o grupo se preparou para ver o Ilê Aiyê passar. Conhecido por sua grandiosidade, o desfile ocorreu mais tarde do que o habitual. Mesmo assim, a expectativa era alta, e a beleza do evento não decepcionou. O Ilê Aiyê trouxe consigo uma forte afirmação da cultura e estética negra, acompanhada pela tradicional batida afro e os cantos coletivos. As cores vibrantes, estampas e turbantes em vermelho e dourado tomaram conta da avenida, enquanto a Deusa do Ébano, símbolo da beleza negra, dançava elegantemente ao som do ijexá.
Após a passagem do Ilê, o grupo não hesitou em cantarolar a célebre música de Caetano Veloso: “Ilê Aiyê, como você é bonito de se ver”. A energia e a emoção eram palpáveis. A madrugada ainda dominava o céu quando o Trio Elétrico de Dodô e Osmar cruzou a Praça Castro Alves, encontrando-se com o trio dos Novos Baianos, que se aproximava pela direção oposta. Logo, outro trio surgia no alto da Ladeira da Montanha, enquanto um terceiro se posicionava em frente ao Cine Guarany, afinando a guitarra baiana. O clima era de pura celebração.
Um Momento de Silêncio e Reflexão
Em um momento marcante, o trio do Papa Léguas tocou a Ave Maria de Gounod, silenciando a praça. Contudo, esse silêncio foi breve, pois logo a voz inconfundível de Moraes Moreira quebrou a tranquilidade, convidando os foliões a se deixarem levar pela música: “Olhos negros cruéis tentadores das multidões sem cantor”. A multidão, então, se deixou envolver pela melodia, enquanto o chão da praça começava a vibrar sob seus pés.
O carnaval, com toda a sua exuberância e diversidade, é um reflexo da rica cultura baiana e uma oportunidade de vivenciar momentos de alegria, união e celebração. A Barraca de Juvená, com sua atmosfera acolhedora, se consolida como um espaço fundamental para aqueles que desejam aproveitar o melhor da folia de forma descontraída, mas ainda assim imersa na tradição e na beleza do Carnaval de Salvador.
