Foco em Riscos e Desigualdades na Saúde
Na última sexta-feira, dia 20, foi finalizada na Bahia a primeira etapa presencial do EpiSUS Intermediário Nordeste, um programa projetado para aprimorar a formação de profissionais envolvidos na vigilância e na resposta a emergências em saúde pública. O encerramento das atividades contou com a presença de especialistas que debateram tópicos cruciais como desigualdades em saúde, determinantes sociais e estratégias de gestão de riscos. A importância de fortalecer as políticas públicas e de preparar os sistemas de saúde para enfrentar cenários cada vez mais desafiadores foi amplamente destacada.
Dentre os palestrantes, a professora e pesquisadora Marilda de Souza Gonçalves, da Fiocruz Bahia, apresentou dados sobre a significativa presença da população negra no Brasil, especialmente na Bahia, resultado histórico da diáspora africana. Em seu discurso, Marilda enfatizou o panorama epidemiológico que afeta a morbimortalidade dessa população, sublinhando os determinantes sociais que ampliam os riscos de adoecimento e morte. Ela também reforçou a necessidade de políticas públicas que visem à redução das desigualdades sociais e à promoção da saúde e qualidade de vida.
Após a apresentação de Marilda, Otto Henrique Nienov, do CIEVS Nacional/Ministério da Saúde, liderou uma atividade teórica e prática com foco em “Gestão de Emergências em Saúde Pública: Análise de Cenários e Riscos no Território”. Os participantes puderam se familiarizar com os princípios do Regulamento Sanitário Internacional (RSI, 2005), além de explorar o conceito de Emergência em Saúde Pública.
Aumento da Complexidade nas Emergências em Saúde
O encontro também abordou como a complexidade, frequência e escala das emergências em saúde têm crescido nas últimas décadas. Fatores como mudanças climáticas, desastres ambientais e fragilidades nos sistemas de saúde têm contribuído para essa situação alarmante. Nesse cenário, o papel da vigilância em saúde tornou-se ainda mais essencial, sendo destacado como uma ferramenta crucial para preparar os sistemas para respostas ágeis e eficazes, levando em consideração as desigualdades sociais que podem agravar as emergências.
De acordo com Otto Nienov, a realização do EpiSUS Intermediário Nordeste na Bahia não só fortalece a capacidade de resposta no estado, mas também promove uma integração valiosa entre os profissionais da região. “Essa agenda estratégica é fundamental para aprimorar nossas capacidades de preparação e vigilância em saúde pública. Precisamos qualificar os profissionais para que eles estejam prontos para situações de potencial emergência,” afirmou Nienov.
No período da tarde, os participantes se dividiram em grupos para discutir os desafios enfrentados e elaborar atividades voltadas à avaliação de riscos em saúde pública. Esse formato colaborativo permitiu a troca de experiências e sugestões em um ambiente enriquecedor e participativo.
O curso EpiSUS Intermediário Nordeste 2026 seguirá com um formato modular e semipresencial, com uma duração total de nove meses. O próximo encontro presencial está agendado para ocorrer entre os dias 20 e 24 de julho de 2026, em continuidade às atividades programadas para o Módulo 4, reforçando o compromisso com a formação e capacitação contínua de profissionais na área da saúde.
