Diálogos sobre Direitos e Igualdade
A cidade de Salvador, na Bahia, é o palco do Encontro Regional da Rede de Trabalhadoras da Educação da Internacional da Educação para a América Latina (Ieal), que acontece nos dias 3 e 4 de outubro. O evento, realizado no Hotel Fiesta, reúne líderes sindicais, educadoras e representantes governamentais de diversos países com o objetivo de debater questões cruciais, como igualdade de gênero, combate à violência e fortalecimento da atuação das mulheres na educação pública.
A abertura do evento contou com a presença de diversas figuras importantes, incluindo Fátima Silva, presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE); Heleno Araújo, vice-presidente da Internacional da Educação; e outros representantes da área. Fátima, ao dar as boas-vindas, expressou seu orgulho de sediar o encontro na Bahia, enfatizando a identidade latino-americana das mulheres educadoras.
“Eu sou trabalhadora da educação e tenho muito orgulho de estar na Internacional da Educação. Estamos na Bahia, e é tão bom viver essa energia”, declarou Fátima. Além disso, ela ressaltou a participação das mulheres da educação nas principais lutas sociais do continente: “Somos mulheres da América Latina. Fazemos da nossa profissão a luta na defesa da educação pública em todo o continente”, enfatizou.
Fátima também reforçou a importância da paz e da autodeterminação dos povos, afirmando que não há guerras justas e reafirmando o compromisso com a soberania do continente. “Estamos na Bahia de todos os santos, de todas as cores e sabores. Terra de mulheres guerreiras, de ancestralidade viva, de quilombolas e indígenas”, ressaltou.
O encontro, segundo a presidenta da CNTE, visa fortalecer a unidade das educadoras da América Latina. “Seguiremos comprometidas com a defesa constante da soberania, da democracia e da educação pública”, afirmou.
Vozes Femininas e o Combate à Violência
Representando a Costa Rica, Gilda Montero destacou a força coletiva das mulheres da educação da região. “Somos mulheres diversas, jovens, adultas, indígenas, rurais, urbanas, mulheres LGBT e mais. Somos cuidadoras, trabalhadoras incansáveis que sustentam o mundo”, disse, ressaltando a importância da mobilização por condições dignas de trabalho e orçamento adequado para a educação.
Heleno Araújo trouxe à tona dados alarmantes sobre a violência de gênero nas escolas brasileiras. Em 2024, foram registrados mais de 15 mil casos de violência interpessoal nas instituições de ensino, um aumento significativo em relação ao ano anterior. As meninas representam a maior parte das vítimas, com 58% dos registros gerais e 84% em casos de violência sexual contra crianças e adolescentes.
Além disso, Heleno relatou que 70% dos docentes do Ensino Fundamental II e Médio presenciaram comentários sexualizados sobre alunas, enquanto 42% relataram episódios de assédio físico. Ele enfatizou a necessidade de os sindicatos priorizarem o combate à violência contra mulheres e meninas. “É preciso repensar a estrutura sindical e tratar esse tema como central na nossa ação”, disse.
Roberto Leão, vice-presidente da Internacional da Educação América Latina, destacou o papel fundamental das escolas na transformação da cultura machista. “A educação deve começar desde a infância para mudar essa mentalidade”, afirmou, defendendo o empoderamento das mulheres e a colaboração de homens aliados na busca por uma sociedade justa.
A secretária de Políticas para as Mulheres do Estado da Bahia, Neusa Cadore, reforçou que não há democracia plena sem a participação ativa das mulheres nos espaços de decisão. Acompanhada pela secretária de Educação do estado, Rowenna Brito, ela reafirmou o compromisso do governo baiano com a educação pública e a equidade de gênero. “Cada vez que uma professora incentiva uma menina a ser cientista ou dirigente, estamos mexendo com a estrutura da sociedade”, disse Neusa.
Ao abordar a ampliação da presença e voz das mulheres nos sindicatos e espaços de poder, o Encontro Regional reafirmou o compromisso da Internacional da Educação América Latina com a construção de uma educação emancipadora, democrática e feminista.
