A Trajetória de uma Empreendedora Inovadora
Desde os primeiros passos no universo artístico, a empreendedora Campêlo sempre teve uma forte conexão com o artesanato. “Eu sempre gostei muito de artesanato e fui apta a questões manuais. Comecei com a dança como bailarina e depois entrei na escola como professora. Durante esse tempo, comecei a empreender com quadros e participamos de várias feiras na Bahia e lojas de empreendedores que se juntavam em estandes”, revela.
A marca Black Luxo, voltada para acessórios, foi fundada em 2010, a partir de uma análise de mercado que Campêlo fez durante suas viagens como bailarina a países como Espanha e França. “Notei que mulheres negras buscavam acessórios de grandes dimensões, mas enfrentavam dificuldades com o peso das peças na cartilagem da orelha”, afirma a empreendedora.
Buscando uma solução, ela começou a criar brincos feitos de papelão revestido com lonita dourada. “Eu pensei na Black Luxo com brincos feitos com papelão. Esse material é revestido de lonita, porque percebia que as mulheres gostavam muito de brincos dourados. Foi um sucesso, e comecei a participar de feiras, vendendo bastante”, comenta Campêlo.
Desafios e Superações no Empreendimento
Em 2015, Campêlo utilizou R$ 8 mil, oriundos de um cachê de dança recebido em Barcelona, para abrir uma loja física na Avenida Sete, em Salvador. Contudo, o espaço apresentava desafios logísticos ao estar localizado no primeiro andar de um edifício, dificultando o acesso dos clientes. “Convidei um designer para criar uma cabeça de boneca grande para expor os brincos. Fiz o investimento, mas a adesão foi baixa devido à localização. Eu precisava fazer uma divulgação muito grande para que as pessoas soubessem onde estávamos. Acabei retornando para a loja virtual, pois ou eu me dedicava à dança, que era meu primeiro emprego, ou aos acessórios. Não conseguia conciliar tudo com as redes sociais”, explica.
Atualmente, a principal fonte de renda de Campêlo vem das aulas na Escola de Dança da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), onde leciona há 20 anos. Além disso, ela dirige a Campêlo Cia de Dança, uma companhia que conta com 10 bailarinos e capta recursos por meio de editais, como a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) e o projeto Quarta que Dança – Circuitos Artísticos, da Funceb/SecultBA.
Integração da Dança com a Black Luxo
A Black Luxo opera de maneira integrada à dança. Campêlo monta estandes na entrada das salas de aula, especialmente durante o verão, quando o fluxo de alunos estrangeiros aumenta. “Durante o ano, as pessoas procuram a dança para fortalecer o corpo físico e mental. Nas férias, coloco o estande na porta da sala e, este ano, superei as expectativas financeiras. A união da dança com os acessórios deu muito certo”, afirma.
Além de brincos e colares, Campêlo expandiu sua linha de produtos para incluir vestuário em 2017, oferecendo calças saruel, macacões e batas de malha. “Minhas alunas perguntavam se, ao vestir minha roupa, dançariam igual a mim. Comecei a empreender com roupas de dança para que as pessoas pudessem se sentir parte do meu universo enquanto dançavam comigo”, diz.
Resiliência em Tempos Difíceis
Durante a pandemia, enquanto o mundo enfrentava desafios sem precedentes, foi a Black Luxo que ajudou Campêlo a se manter financeiramente. “Na pandemia, as peças da marca vendidas por amigas na Irlanda e na Califórnia foram essenciais para comprar um ring light e um computador, permitindo que eu iniciasse as aulas online”, detalha.
Campêlo, que também é mãe atípica e Ialorixá, mantém a produção dos acessórios de forma artesanal, contando com o apoio da mãe, que deixou o setor de eventos para ajudá-la na montagem das peças. No final de 2025, a empreendedora levou mil peças para a Argentina e conseguiu vender o dobro do investimento inicial, mesmo após arcar com R$ 800 em taxas alfandegárias.
Planos Futuros e Expansão
O futuro promete grandes novidades para Campêlo. Entre seus planos estão a obtenção do visto para os Estados Unidos — onde já recebeu convites para lecionar —, a montagem do espetáculo “Oriô” com sua companhia e a inserção da Black Luxo em desfiles de moda de grande porte. “Quero lançar uma nova coleção este ano com uma proposta estética de deusas e rainhas. Meu objetivo é alavancar a dança e fazer com que a Black Luxo esteja presente em lojas de outros empreendedores, além de promover cursos para formar novos profissionais na montagem de brincos”, conclui Campêlo.
