Uma Estátua Que Quer Atrair Turistas
O deputado federal José Rocha, do União-BA, destinou R$ 1 milhão do polêmico orçamento secreto para a construção de uma estátua monumental na pequena cidade de Coribe, na Bahia. Com pouco mais de 14 mil habitantes, a localidade pretende transformar a nova estrutura em um atrativo turístico, similar ao famoso Cristo Redentor do Rio de Janeiro. As informações foram publicadas pelo portal Metrópoles na última quinta-feira, 1º de janeiro.
De acordo com Rocha, a ideia é criar um parque urbano ao redor da estátua, colocando Coribe no mapa turístico nacional. “Acreditamos que a estátua, com seu entorno, pode trazer visitantes de todas as partes do Brasil”, declarou o parlamentar.
Defesa da Obra e Críticas ao Orçamento Secreto
Questionado pelo Metrópoles sobre o investimento da estátua, Rocha comparou o custo com o do Cristo Redentor, afirmando: “E quanto você acha que custou o Cristo Redentor no Rio de Janeiro?”. A estrutura exata da obra, no entanto, ainda não foi definida e o cronograma prevê a conclusão até o final de 2026. A licitação para a construção, por outro lado, ainda não possui uma data determinada.
Localizada a cerca de 900 quilômetros da capital baiana, Salvador, Coribe tem uma história política peculiar: já foi governada pelo pai, pelo filho e atualmente é administrada por um sobrinho de Rocha. Essa sequência familiar levanta questões sobre a concentração de poder na cidade.
Verbas Adicionais e Contradições
A estátua não é a única destinação de recursos feita pelo deputado à cidade. Conforme noticiado, Rocha já alocou mais de R$ 26,9 milhões para Coribe por meio de emendas do orçamento secreto. Apesar de ser um dos beneficiários desse modelo de distribuição, Rocha criticou abertamente o sistema e pediu ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que investigasse o então presidente da Câmara por supostas irregularidades em favor de Alagoas. Em resposta, Dino determinou a abertura de uma investigação sobre o caso.
Em meio a essas controvérsias, o deputado tentou concentrar R$ 152 milhões do orçamento secreto para si, priorizando sua própria região. Ao ser questionado sobre essa aparente contradição, Rocha afirmou que “todo mundo recebeu” e que não vê crime em suas ações.
Contratação Questionável
Ainda mais intrigante é o fato de que Rocha destinou pelo menos R$ 1,2 milhão para contratar uma empresa que ficará responsável por obras na praça central de Coribe. No entanto, a construtora contratada está registrada em Águas Claras, no Distrito Federal. O endereço oficial da empresa corresponde a uma torre comercial que abriga uma gestora de negócios familiares, não uma construtora legítima.
Conforme reportado pelo Metrópoles, a gestora pertence a um grupo empresarial que emprega o dono formal da construtora, que reside em uma quitinete em Brasília. Tal situação levanta sérias questões sobre a transparência e a legitimidade da alocação de recursos públicos em projetos na cidade.
