Reajustes em Alta e Impacto no Atendimento
Os custos relacionados aos planos de saúde empresariais estão em ascensão, superando a inflação e limitando o acesso aos serviços médicos. Para este ano, a expectativa é que os reajustes dos contratos coletivos fiquem entre 9% e 10%, um aumento que, embora inferior ao registrado no ano passado, continua sendo o dobro do que se projeta para a inflação geral. De acordo com o último Boletim Focus, do Banco Central, a previsão para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é de 4,80% ao final de 2026.
No contexto de um lucro operacional de R$ 24,4 bilhões para as operadoras em 2025, um aumento considerável de 120,6% em relação ao ano anterior, as empresas têm adotado reajustes mais elevados como forma de compensar as perdas financeiras enfrentadas durante a pandemia.
O Estado da Saúde Suplementar
Vale ressaltar que os planos de saúde coletivos, que não possuem limites de aumento definidos pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) – ao contrário dos planos individuais – sofreram reajustes muito mais significativos, chegando a até 40% em alguns casos. Enquanto em 2023 os aumentos foram de 13,19% e em 2024, 14,14%, a tendência agora é de uma leve suavização.
A correção dos preços dos planos de saúde é baseada em métricas que incluem a inflação médica, a qual tem se mostrado superior à inflação geral. Esse indicador abrange variações de preços de medicamentos, equipamentos hospitalares e novas tecnologias, além da frequência de utilização dos serviços pelos usuários, que impacta diretamente as despesas das operadoras.
A Sinistralidade e Seus Efeitos
Outro elemento crucial a ser considerado é a sinistralidade, que representa a proporção do que as operadoras gastaram em comparação com suas receitas. Em 2025, esse índice foi de 78,4%, uma melhoria em relação ao ano anterior, onde atingiu 81,7%. A ANS atribui a melhora à elevação dos valores cobrados nos planos, que superaram as despesas assistenciais.
Com um olhar otimista, Thomás Ishizuka, superintendente atuarial da Mercer Marsh Benefícios, afirmou que a expectativa é de reajustes em torno de 9% para planos coletivos, acompanhados de uma leve queda na inflação médica, que está em 9,1% para sua carteira. Segundo ele, essa diminuição se deve a um controle mais rígido sobre fraudes e acordos mais vantajosos com prestadoras de serviços.
Medidas para Redução de Custos
Além disso, as operadoras têm implementado várias estratégias para controlar os custos, incluindo a rigidez nas regras de reembolso e um aumento na coparticipação dos usuários em consultas e exames. Em 2024, por exemplo, cerca de 59,1% dos contratos coletivos incluíam essa modalidade, um crescimento considerável em relação a 2020.
Vinicius Figueiredo, analista de Saúde do Itaú BBA, ressaltou que as mudanças visam incentivar os beneficiários a utilizarem a rede de atendimento credenciada, evitando a busca por profissionais externos. Ele prevê que, apesar do aumento nos custos, os reajustes ficarão abaixo dos patamares de 2025.
Desafios e Expectativas para o Setor
Ainda que as medidas de restrição tenham se mostrado eficazes, a postura das operadoras continua cautelosa. Gustavo Ribeiro, presidente da Abramge, indicou que, embora haja uma recuperação no setor desde 2023, a uniformidade dessa melhora é questionável, uma vez que 45% das pequenas e médias operadoras ainda registram resultados negativos.
Em um cenário mais otimista, a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que endureceu as exigências para a cobertura de tratamentos fora do rol da ANS, pode contribuir para uma estabilização dos preços. Contudo, especialistas acreditam que os efeitos dessa mudança só serão percebidos a partir do próximo ano.
Assim, embora o setor de saúde suplementar enfrente desafios significativos, as previsões de reajustes mais moderados indicam um movimento em direção à estabilização, refletindo um esforço contínuo das operadoras para equilibrar custos e qualidade no atendimento.
