Uma Jornada de Ficção que Une Memória Histórica e o Conceito de Bem Viver
O curta-metragem de animação “Amalá”, situado no interior da Bahia, apresenta uma narrativa rica e simbólica que discute o bem viver, a convivência comunitária e a memória histórica. Com uma estreia programada para fevereiro de 2026, o projeto está em fase de mobilização, tendo sido anunciado recentemente em uma divulgação oficial.
A obra traz à tona uma construção narrativa que entrelaça experiências individuais e coletivas, explorando os impactos históricos do genocídio da população negra e dos povos originários. Essa abordagem é feita sob uma perspectiva ficcional e alegórica, oferecendo um panorama que remete à cultura e à oralidade, além de fomentar a reflexão social. Produzido pela Raízes BA, por meio do Raízes Laboratório de Movimento Animado, o filme promete ser um marco na animação brasileira.
Com previsão de duração de 15 minutos e classificação indicativa para maiores de 6 anos, “Amalá” busca engajar diversos públicos e gerações. A animação é utilizada como uma ferramenta poderosa para abordar temas sociais, históricos e culturais de maneira acessível e envolvente.
Produção e Concepção Artística
A escrita do roteiro conta com a colaboração de Gean Almeida, natural de Feira de Santana, que também co-dirige, ilustra e anima ao lado de Rodrigo Araújo, oriundo de Salvador. A equipe criativa aposta em uma linguagem que se inspira na cultura popular e nas tradições afro-indígenas, criando um universo narrativo que é ao mesmo tempo simbólico e interligado às raízes culturais da região.
Segundo os realizadores, a proposta estética e narrativa do curta combina elementos do cotidiano com dimensões espirituais e míticas, estabelecendo um diálogo enriquecedor com práticas culturais e formas tradicionais de transmissão de conhecimento.
Explorando a Justiça e a Comunidade
A narrativa do curta se concentra em Ganzi, uma personagem que busca a advogada Kalunga para processar o Estado brasileiro. Contudo, essa busca jurídica se transforma em uma jornada mais ampla, onde a lógica se entrelaça com experiências simbólicas e espirituais. Ao longo da trama, as noções de justiça e reparação ganham novos significados, desafiando os espectadores a refletirem sobre autonomia e organização comunitária.
A estrutura do enredo mescla o real e o imaginário, conduzindo o público por uma travessia narrativa que extrapola o conflito inicial. “Amalá” se configura como uma crônica social em formato de animação, utilizando recursos visuais e narrativos que conectam memória, território e experiências coletivas, enriquecendo a discussão sobre esses temas.
O Papel do Cinema de Animação na Memória Coletiva
Conforme explica Gean Almeida, o projeto nasce da intenção de valorizar os afetos comunitários e ampliar a representação do cinema negro na animação. O co-diretor Rodrigo Araújo ressalta que o filme se insere em um contexto histórico de produção audiovisual na Bahia, dialogando com os processos de resistência cultural e artística que caracterizam o estado.
Com o lançamento programado para fevereiro de 2026, a equipe está em busca de parcerias e apoio de instituições que queiram colaborar na finalização e circulação do curta-metragem. Para mais informações, interessados podem entrar em contato pelo e-mail raizes.atv@gmail.com.
