Desigualdade nas Cotas de TV no Futebol Brasileiro
No futebol brasileiro, a disparidade nas receitas das cotas de TV continua a ser uma realidade preocupante. Em 2026, Bahia e Vitória se destacam entre os clubes da Série A que menos receberão em cotas de televisão nos campeonatos estaduais. Segundo um levantamento realizado pelo jornalista Rodrigo Capelo, do Estadão, esse cenário reflete uma discrepância significativa na distribuição dos direitos de transmissão, revelando uma situação crítica para os clubes da Bahia.
No Campeonato Baiano, tanto Bahia quanto Vitória terão direito a receber apenas R$ 1,2 milhão cada em cota fixa. Esse valor está entre os menores da elite do futebol nacional. Para ilustrar a gravidade da situação, os quatro grandes clubes de São Paulo — Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo — recebem impressionantes R$ 35 milhões cada de cota fixa, resultando em uma diferença de aproximadamente 29 vezes em relação aos clubes baianos. Surpreendentemente, mesmo clubes como Bragantino e Mirassol, que não possuem a mesma tradição histórica, conseguem faturar R$ 11 milhões, quase nove vezes mais do que a dupla Ba-Vi.
Comparação entre Clubes e Regiões
Embora Bahia e Vitória estejam entre os que menos recebem, não estão sozinhos no fim da tabela. Outros clubes como Athletico-PR e Coritiba, representantes do Paraná na Série A, ficam atrás em termos de cotas, com apenas R$ 400 mil para cada um. Além disso, a situação de clubes como Chapecoense e Remo, que também disputarão a Série A em 2026, permanece indefinida, já que os valores de suas cotas estaduais não foram confirmados, tornando impossível uma comparação direta.
A desigualdade nas cotas de TV não se limita apenas à divisão entre os clubes da Série A, mas também é notória quando se observa o cenário do Nordeste. Apesar de serem os únicos representantes da região na elite do futebol brasileiro, Bahia e Vitória não lideram o ranking regional de receitas provenientes das cotas estaduais. Os clubes cearenses, Ceará e Fortaleza, que disputarão a Série B em 2026, recebem R$ 1,6 milhão cada no Campeonato Cearense. Em contrapartida, os três grandes de Pernambuco – Sport, Náutico (ambos na Série B) e Santa Cruz (Série C) – incluem-se entre os menos favorecidos, recebendo apenas R$ 333 mil.
Impactos da Desigualdade Financeira
Essa situação de desigualdade nas receitas das cotas de TV levanta preocupações sobre o futuro dos clubes que não conseguem capturar receitas significativas, especialmente em um contexto em que os campeonatos estaduais estão cada vez mais perdendo relevância financeira. A concentração de recursos em poucos clubes ameaça a competitividade e a sustentabilidade financeira de equipes que, historicamente, têm grande importância para suas torcidas e para o futebol brasileiro.
A discussão sobre a distribuição mais justa dos direitos de transmissão no futebol brasileiro é urgente. Em um esporte onde a paixão e a rivalidade são intensas, a questão das cotas de TV pode acabar determinando não apenas o sucesso financeiro, mas também o desempenho em campo. Como se pode observar, a cada ano, as diferenças se tornam mais evidentes, exigindo uma reavaliação do modelo atual para garantir que todos os clubes tenham uma chance justa de competir.
