Ancestralidade e Resistência Cultural no Carnaval
No Carnaval de 2026, a Avenida da Bahia se transforma em um espaço de celebração da identidade afro-brasileira através de duas atrações marcantes: o Bloco Alvorada e o Cortejo Afro. Nesta sexta-feira (13), os dois grupos se destacaram por sua contribuição à memória cultural, com o Alvorada, que já é um ícone do samba baiano há mais de cinquenta anos, e o Cortejo Afro, que traz uma proposta percussiva inovadora que dialoga entre tradição e modernidade. Juntos, esses blocos reafirmam a folia como um espaço de resistência e afirmação cultural.
A antropóloga Analva Brasão compartilha sua visão sobre a experiência do Carnaval, ressaltando que a festividade vai além da mera celebração: “Eu sou de Natal, moro em Recife, adoro o Carnaval de Recife e de Olinda, mas venho todo ano para o Carnaval de Salvador para me alimentar da cultura afro”. Essa perspectiva enfatiza a importância do carnaval como um ponto de conexão com as raízes e a ancestralidade.
A presença do cantor Aloísio Menezes, da banda Cortejo Afro, reforça essa ligação com a memória coletiva. Ele explica que o grupo é fruto da força do povo negro e de suas tradições: “O Cortejo Afro surge dentro de um terreiro de candomblé, o Terreiro Ilê Axé Oyá, então é a emoção da nossa ancestralidade e de contar um pouco da nossa história”.
O Bloco Alvorada, por sua vez, é considerado o mais antigo bloco de samba da folia baiana e continua a contagiar diferentes gerações com a força do samba, um elemento central da cultura local. Ailton José Nascimento, conhecido como Roxinho do Samba, expressa a missão do bloco: “Manter viva a alegria, a cultura da Bahia, que representa o samba e tudo que a gente tem de bom a oferecer é nosso maior incentivo”.
Comemorações e Investimentos no Carnaval
Em 2026, o Bloco Alvorada celebra o centenário de Nengua Guanguacese, promovendo um encontro intergeracional durante o desfile. Essa celebração conta com o apoio do Governo da Bahia, por meio da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi-BA) e da Secretaria de Cultura (Secult-BA), através do Programa Ouro Negro. Este ano, o programa realiza um investimento recorde de R$ 17 milhões, apoiando 95 projetos de entidades de matrizes africanas.
O desfile do Alvorada não é apenas uma celebração, mas também uma reafirmação da missão de preservar e promover a cultura afro-brasileira, levando samba, axé e a rica tradição para o coração do Carnaval. Essa sinergia entre as apresentações e o apoio institucional destaca a relevância cultural dessas manifestações, que vão além do entretenimento, tornando-se um verdadeiro patrimônio imaterial da Bahia.
