Retrospectiva Marcante na Sala de Cinema Walter da Silveira
Entre os dias 5 e 24 de março, a Sala de Cinema Walter da Silveira, uma importante instituição da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), sediará a retrospectiva “O Cinema anticolonial de Sarah Maldoror”. Esta mostra, que oferece uma programação gratuita, destaca o trabalho inovador da cineasta franco-guadalupense, conhecida por sua contribuição significativa à história do cinema negro e feminino. Com o apoio da Diretoria de Audiovisual (Dimas/Funceb), a mostra chega a Salvador após passar pelo Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) no Rio de Janeiro e em São Paulo, consolidando seu circuito nacional.
A abertura do evento ocorrerá no dia 5 de março, às 18h, com a exibição de “Monangambé” (1968), o primeiro filme da diretora. Na sequência, às 19h, será exibida a versão restaurada de “Sambizanga” (1972), uma obra premiada no Festival de Berlim e uma das mais conhecidas da cineasta. O filme é baseado em uma novela de Luandino Vieira e narra a história de um homem preso injustamente, que enfrenta a tortura por suspeitas de envolvimento em atividades revolucionárias.
Uma Curadoria que Promove Reflexão Cultural
A curadoria da mostra é colaborativa, composta por Lúcia Monteiro, Izabel de Fátima Cruz Melo e Letícia Santinon, que ressaltam a importância de trazer as obras de Maldoror para o público baiano. “A presença desta mostra na Bahia sublinha o compromisso da Dimas com a política pública para o audiovisual, promovendo a circulação de filmes essenciais e fomentando o debate sobre temas como colonialismo, identidade e memória”, afirmam as curadoras.
Além das produções de Maldoror, a programação inclui filmes que ela ajudou a realizar como assistente, como “A Batalha de Argel” (1966) de Gillo Pontecorvo e o documentário “Elas” de Ahmed Lallem, que terá sua primeira exibição em Salvador. Também estão previstos documentários de Chris Marker que contam com imagens capturadas pela cineasta, assim como obras que refletem uma proximidade estética e política com sua filmografia.
Conexões Entre Cinema e Identidade
A mostra não apenas revisita a obra de Maldoror, mas também busca estabelecer paralelos entre seu trabalho e o de cineastas negras da América Latina. A baiana Safira Moreira participará do evento, dirigindo uma leitura dramática do roteiro inacabado “As garotinhas e a morte” no dia 6 de março. Também haverá exibições de curtas-metragens da cineasta.
Legado de Sarah Maldoror
Sarah Maldoror, nascida em 1929, na França, e filha de pai guadalupense, é uma figura emblemática do cinema anticolonial. Com uma filmografia que supera quarenta títulos, sua obra aborda as frentes de libertação em países como Angola, Guiné-Bissau e Cabo Verde, além de tratar de temas como imigração e o engajamento político. Seu estilo distintivo combina rigor político e sensibilidade poética, colocando mulheres em evidência nas narrativas de resistência africanas.
“Faz dez anos sonhávamos com esta retrospectiva. Os filmes de Sarah falam sobre a luta contra o colonialismo e o preconceito, além de explorarem a experiência dos imigrantes na França”, ressalta Lúcia Monteiro. “Eventos como este são cruciais para reposicionar a história de Sarah Maldoror no cinema”, complementa Izabel de Fátima Cruz Melo.
Com o patrocínio do Banco do Brasil, a retrospectiva é uma produção da Vasto Mundo e marca um momento significativo para a difusão cultural no Brasil, com a programação completa disponível em bb.com.br/cultura. A mostra também ocorrerá em outras cidades, como no CCBB Rio de Janeiro e São Paulo, reforçando o compromisso com a valorização da cinematografia de Sarah Maldoror.
