Diversificação de Culturas em Foco
No segundo dia da programação técnica da Embrapa durante a 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, foi realizado o painel “Diversificação de Culturas: Inverno e Verão”. O evento, que acontece entre os dias 24 e 26 de fevereiro na Estação Terras Baixas da Embrapa Clima Temperado, em Capão do Leão/RS, abordou a importância de cultivos alternativos, como cereais e oleaginosas, além de discutir a descarbonização da soja em referência à produção de arroz.
A primeira palestra do dia trouxe à tona as inovações no portfólio de cereais de inverno da Embrapa Trigo e seus resultados em campo. O engenheiro agrônomo Giovani Faé destacou como a introdução de trigo e triticale em áreas de soja em terras baixas tem mostrado um desempenho notável. “Temos visto um aumento significativo na produção, com registros de até 96 sacas por hectare de soja após a rotação com trigo e triticale”, afirmou Faé, citando exemplos de propriedades em Eldorado do Sul e Capivari do Sul que obtiveram esses resultados positivos.
Desafios e Oportunidades no Cultivo de Cereais
O pesquisador André Andrés, que também participou do painel, abordou os desafios dos cultivos de inverno em terras baixas. Ele explicou que a pesquisa busca desenvolver cultivares de trigo que superem a marca de 6 mil kg/ha. “Estamos realizando experimentos em mais de cinco hectares desde 2021. Recentemente, conseguimos antecipar a semeadura dos cereais de inverno para maio, com colheita prevista para outubro. Embora a rotação com arroz seja viável, as evidências apontam que a soja é a escolha mais adequada devido ao seu ciclo produtivo”, detalhou Andrés. Segundo ele, ao introduzir o trigo após a soja, o agricultor otimiza tempo, recursos e força de trabalho, já que pode colher a soja e plantar o trigo no dia seguinte, garantindo uma produção eficiente e uma alimentação de qualidade para a pecuária.
Cultivo de Carinata e Sustentabilidade
Na parte da manhã, o tema do cultivo da carinata foi apresentado por Phillip Herbst Minarelli, da Nufarm Brasil. Durante sua palestra, ele discutiu os desafios futuros em relação à sustentabilidade, apresentando um panorama global sobre o uso do Combustível Sustentável de Aviação (SAF) e o ProBioQAV, um programa nacional voltado para esta iniciativa. Minarelli destacou o papel das políticas públicas de descarbonização e sua relevância para o cultivo da carinata, que se sobressai como uma cultura de rotação devido à sua resistência ao calor, seca e geadas. Além disso, a carinata produz uma quantidade significativa de palhada e ajuda na redução de nematoides no solo. Ele ainda apontou as diferenças entre carinata e canola, ambas da mesma família, mas com usos distintos: a canola é destinada à produção de óleo alimentar, enquanto a carinata é voltada para o desenvolvimento de combustíveis sustentáveis.
Iniciativas de Descarbonização na Soja
Outro ponto relevante do evento foi a apresentação do Programa Soja Baixo Carbono, conduzida pela pesquisadora Roberta Monteiro, da Embrapa Soja. Este programa busca valorizar a soja cultivada de maneira sustentável, implementando práticas que visam reduzir a emissão de gases de efeito estufa. Roberta explicou que o programa certifica a soja brasileira que é cultivada com técnicas que minimizam as emissões ao longo de sua produção. Durante sua palestra, ela ressaltou a contribuição das práticas agropecuárias nas emissões globais e argumentou que, apesar de sua participação, ainda é considerada baixa. A discussão também abriu espaço para considerar como iniciativas de descarbonização podem ser aplicadas à cultura do arroz, ampliando as possibilidades de práticas sustentáveis no setor agrícola.
