Comemorações em Homenagem ao Professor e Jornalista
No próximo domingo, 25 de janeiro, a Bahia se prepara para celebrar o centenário de nascimento do professor, historiador e jornalista Luís Henrique Dias Tavares. As festividades ocorrerão em duas localidades significativas: Salvador e Nazaré das Farinhas, a cidade natal do homenageado. As homenagens incluem missas e a mobilização de representantes da cultura local, que visam relembrar a impressionante trajetória intelectual e a importância de suas contribuições à imprensa baiana.
A primeira celebração em Salvador terá início às 9h, na Igreja da Vitória. Já em Nazaré das Farinhas, a segunda homenagem está programada para às 20h, com uma missa na Igreja Nossa Senhora da Purificação. Este evento é uma iniciativa articulada por figuras representativas da cultura local, destacando a relevância de Tavares não apenas na academia, mas também no ambiente cultural da região.
A presidenta do Sinjorba, Fernanda Gama, enfatiza: “Celebrar o centenário de Luís Henrique Dias Tavares é reafirmar, com serenidade e firmeza, que a Bahia se constrói também pela palavra escrita e pela coragem intelectual. Seu legado permanece vivo na obra e nas lutas para mantermos a tradição de defesa das liberdades, do pensamento crítico e do compromisso com a sociedade.”
Um Legado Inesquecível
Luís Henrique Dias Tavares é amplamente reconhecido por sua vasta e rigorosa obra, que transcende gerações de leitores e pesquisadores. Um dos títulos mais notáveis de sua carreira é “História da Bahia”, que se tornou uma referência bibliográfica devido à sua rica variedade de fontes e ao detalhamento apresentado. Outro marco significativo na trajetória de Tavares é a obra “A Independência do Brasil na Bahia” (1977), que trouxe uma nova perspectiva ao reposicionar o 2 de Julho como uma data crucial no debate sobre a independência do Brasil, ressaltando o protagonismo baiano nesse processo histórico.
A bibliografia do professor também ilumina períodos decisivos da história colonial. Em “História da Sedição Intentada na Bahia em 1798”, Tavares analisa a Revolta dos Alfaiates, também conhecida como Revolta dos Búzios, proporcionando uma interpretação profunda da dimensão política e social desse movimento que marcou o final do século XVIII.
Contribuições Acadêmicas e Jornalísticas
Luís Henrique Dias Tavares faleceu em 22 de junho de 2020, mas sua influência na vida acadêmica e cultural da Bahia perdura. Desde 1968, ele foi membro da Academia de Letras da Bahia e fez parte de redes intelectuais que contribuíram para o debate público no estado, trocando ideias com figuras como Jorge Amado, Ariovaldo Matos e o historiador José Honório Rodrigues.
Na área da imprensa, sua trajetória começou nos anos 1940, quando se destacou em iniciativas editoriais e em publicações culturais. Tavares foi um dos integrantes do jornal O Momento, um veículo comunista baiano fundado em 1945, que se tornou um espaço importante para a militância jornalística e política, reunindo diversas vozes da época. Alberto Vita, cofundador e vice-presidente do sindicato no ano da fundação, também compartilhou espaço com Tavares nesse periódico.
Para preservar a memória de Tavares, a Biblioteca Florisvaldo Mattos, do Sinjorba, recebeu doações de livros feitas por seu filho, Luís Guilherme Pontes Tavares. Entre essas obras, destaca-se “A Independência do Brasil na Bahia” (1977), simbolizando o reconhecimento do sindicato pela contribuição intelectual e familiar de Tavares ao jornalismo e à história da Bahia.
Trajetória Educacional e Cultural
Luís Henrique Dias Tavares nasceu em 25 de janeiro de 1926, em Nazaré das Farinhas. Sua jornada educacional começou em seu município natal, antes de se mudar para Salvador para continuar os estudos. Desde jovem, Tavares se envolveu em experiências editoriais e culturais, criando um jornal estudantil e participando de revistas da época, além de atuar no teatro. Entre 1945 e 1950, ele trabalhou no jornal O Momento, período que se tornou uma das marcas de sua passagem pela imprensa.
Formou-se pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) em Geografia e História (1951) e construiu uma carreira acadêmica sólida, que incluiu docência, pesquisas e produções referenciais, além de ocupar cargos públicos relacionados à educação e à cultura. No campo da crônica e do jornalismo cultural, destacou-se por seus textos que circularam em diversos veículos baianos, contribuindo significativamente para a formação de leitores na Bahia.
