Cenário Político e o Impacto no Crédito Privado
Nos últimos anos, o crédito privado se destacou por sua forte demanda e retornos atrativos, impulsionados por taxas de juros elevadas, vantagens fiscais e a crescente popularidade de instrumentos financeiros como debêntures incentivadas e Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs). Contudo, o aumento das alocações fez com que os spreads se tornassem mais estreitos, comprimindo a remuneração adicional que os investidores geralmente esperam ao assumir riscos associados ao crédito privado. Isso, por sua vez, limitou os ganhos extras e levou muitos gestores a optarem por estratégias mais conservadoras, evitando alavancagens em momentos de incerteza no mercado.
Com a proximidade das eleições de 2025, o cenário político tende a se tornar um fator determinante. Laurence Mello, CIO e Gestor Responsável pelos Fundos de Crédito Privado da AZ Quest, ressalta que “o cenário vai ser praticamente contaminado pela política, com um contexto de juros desafiadores. Dependendo do resultado das eleições, você poderá ter dois caminhos: um que favorece uma abordagem mais defensiva, reforçando o crédito, ou outro que, com uma agenda mais à direita, tende a beneficiar a bolsa e instrumentos de maior risco, mas de maneira gradual”. Essa avaliação deixa claro como as decisões e rumos políticos podem influenciar diretamente o ambiente de investimentos.
Mello também menciona que, para restaurar a confiança dos investidores, será crucial uma redução significativa nas taxas de juros. Recentemente, o Boletim Focus indicou que a mediana das previsões para a taxa básica de juros de 2026 caiu levemente de 12,25% para 12,13%, ainda assim considerada uma taxa elevada. O mercado já antecipa que o primeiro corte de juros aconteça em março, o que poderá contribuir para melhorar a atratividade do crédito privado.
