Desdobramentos das Investigações
As investigações em curso relacionadas ao Caso Banco Master começam a provocar repercussões significativas no cenário político da Bahia, especialmente entre os grupos que devem participar das próximas eleições estaduais. Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, um dos nomes envoltos nessa questão é o do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), que é pré-candidato ao Governo do Estado. Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) aponta que ele recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master, via gestora de recursos Reag, entre março de 2023 e maio de 2024, após as eleições de 2022. Ao ser questionado, ACM Neto defendeu que os valores referem-se a serviços de consultoria prestados.
No âmbito do Partido dos Trabalhadores (PT), os desdobramentos são igualmente preocupantes. O portal Metrópoles reportou que a BK Financeira, empresa gerida pela nora do senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado, recebeu pelo menos R$ 11 milhões do Banco Master. Em comunicado, Wagner afirmou não ter conhecimento de qualquer investigação e negou ter participado de negociações que favorecessem a empresa.
Relações Políticas e Investigativas
As investigações também estão ligadas a relações entre o banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro — proprietário do Banco Master — e figuras importantes do PT, como o ministro da Casa Civil, Rui Costa. Este caso, portanto, adquire relevância política ao envolver os dois principais grupos que devem disputar o governo baiano. Wagner, que deve concorrer à reeleição ao Senado, é uma figura central do PT no estado, que busca manter o poder executivo sob a liderança do governador Jerônimo Rodrigues. Por outro lado, ACM Neto desponta como o principal candidato da oposição.
Aliados do União Brasil tentam associar o escândalo à recente trajetória do PT na Bahia. Uma questão levantada é a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), que ocorreu em 2018 sob a administração de Rui Costa. A estatal, que era responsável pela rede Cesta do Povo, foi adquirida por Augusto Lima, que na época era sócio de Vorcaro no Banco Master.
Consequências Políticas e Opiniões
Após deixar o banco em 2023, Lima ficou com ativos adquiridos durante o processo, incluindo o Credcesta, um cartão de crédito consignado voltado a servidores e aposentados. O produto foi incorporado ao terceiro leilão da Ebal após duas tentativas frustradas de venda, o que o tornou mais atrativo. Para críticos, esse episódio estaria na origem das relações atualmente sob investigação. O deputado federal José Rocha (União-BA) comentou: “Tudo começou com o PT na Bahia, com o Credcesta. O caso Master vai interferir na campanha de todo mundo que estiver envolvido. Agora é ver quem está mais baleado que o outro”.
Em fevereiro, Rui Costa defendeu a maneira como a venda da Ebal foi conduzida e argumentou que a inclusão do crédito consignado foi crucial para a viabilidade do negócio. Outro aspecto que merece atenção nas investigações é a empresária Bonnie Toaldo Bonilha, casada com um enteado de Jaques Wagner, também sócia da BK Financeira. O contrato com o Banco Master teria sido estabelecido em 2021.
Cautela nas Estratégias de Comunicação
Apesar do potencial de desgaste em relação ao partido, há uma certa cautela no União Brasil sobre a maneira de explorar politicamente o caso. ACM Neto ainda não se manifestou publicamente, e seus aliados acreditam que qualquer movimento deve estar alinhado à estratégia de comunicação da campanha, que agora conta com o marqueteiro João Santana, renomado por campanhas vitoriosas do PT, mas que atualmente critica o governo Lula.
No lado oposto, figuras do PT utilizam as menções a ACM Neto para tentar distanciar o partido do escândalo. O governador Jerônimo Rodrigues manifestou que aguarda o desenrolar das investigações: “Espero que a Justiça tome conta, acompanhe, monitore e mostre para a gente, de fato, a realidade. Eu aguardo que a Justiça faça o seu papel, esse é um tema muito sério”, declarou.
Contexto Nacional e Posição do União Brasil
No plano nacional, a cúpula do União Brasil atribui as dificuldades enfrentadas por suas lideranças em investigações recentes ao governo federal. Membros da legenda acreditam que a Polícia Federal atua em sintonia com o Palácio do Planalto. Embora o partido tenha indicado três ministros para o governo, deve manter uma posição neutra na eleição presidencial, permitindo que seus diretórios estaduais decidam seus apoios.
