Desempenho Financeiro da Casas Bahia no Quarto Trimestre
A Casas Bahia reportou um prejuízo líquido de R$ 1,529 bilhão no último trimestre de 2023. Este resultado negativo é fortemente impactado por uma provisão de Imposto de Renda diferido que alcançou R$ 1,45 bilhão, em um cenário que também observou uma significativa redução do endividamento e um crescimento nas receitas e margens.
Elcio Ito, diretor financeiro da empresa, comentou que a provisão foi adotada após a realização de testes de estresse, considerando o contexto geopolítico e os riscos potenciais relacionados à inflação e às taxas de juros. “Por prudência e conservadorismo, decidimos fazer essa provisão”, afirmou à Reuters. Ele destacou que essa decisão não gerou efeito caixa imediato, sendo uma medida preventiva diante de um cenário macroeconômico incerto.
Excluindo essa provisão, a empresa registrou um prejuízo de R$ 79 milhões, uma melhoria em relação à perda de R$ 452 milhões do mesmo período do ano anterior. Entretanto, o balanço da companhia ainda mostra despesas operacionais elevadas, totalizando R$ 1,9 bilhão, um aumento de 0,4%, além de um resultado financeiro negativo de R$ 557 milhões.
Um aspecto positivo é que a despesa financeira apresentou uma queda em comparação ao mesmo período do ano anterior, totalizando R$ 921 milhões. Isso ocorreu em meio à conclusão do processo de reestruturação da dívida da empresa, que reduziu a dívida líquida ajustada para R$ 1,13 bilhão, comparada a R$ 4,48 bilhões no trimestre anterior. A alavancagem da dívida, medida em relação ao Ebitda ajustado, melhorou para 0,4 vez, em contraste com 1,9 vez no terceiro trimestre.
Resultados Operacionais e Perspectivas Futuras
“Tivemos uma redução impressionante de 75% na dívida líquida entre o terceiro e o quarto trimestre, um passo fundamental para reposicionar a companhia”, destacou Ito, ressaltando a importância da entrega consistente de resultados operacionais. No quarto trimestre, a receita líquida cresceu 6,1%, totalizando R$ 8,471 bilhões, enquanto o volume de vendas (GMV) consolidado apresentou um aumento de 8,7%, alcançando R$ 13,1 bilhões.
As lojas físicas mantiveram um GMV estável, e as vendas em mesmas lojas cresceram 2,6%. O e-commerce teve um desempenho notável, com expansão de 21,7%. O resultado operacional, medido pelo Ebitda ajustado, totalizou R$ 826 milhões, um aumento significativo de 29,1% em relação ao ano anterior, e a margem nessa métrica subiu para 9,8%, comparada a 8% no ano anterior, com a margem bruta também avançando em 0,7 ponto percentual, atingindo 31,5%.
Para 2026, Ito preferiu não detalhar o desempenho das vendas até o momento, mas assegurou que a companhia está em crescimento e ganhando participação de mercado. Ele considerou o ano promissor, apesar dos desafios macroeconômicos e das taxas de juros elevadas. O diretor financeiro mencionou que a isenção do Imposto de Renda para rendimentos até R$ 5.000 pode oferecer uma renda adicional aos consumidores, enquanto a Copa do Mundo deverá impactar positivamente as vendas, especialmente no segundo trimestre. Ele também fez referência às eleições, que historicamente trazem um aumento no consumo e uma economia mais dinâmica.
“Há vários fatores que podem ser favoráveis à companhia ao longo do ano”, observou Ito. Ele também falou sobre um projeto ambicioso da Casas Bahia para expandir o crediário nas vendas. No quarto trimestre, a carteira de crediário atingiu R$ 6,6 bilhões, com um crescimento de 7% em relação ao ano anterior, embora a inadimplência acima de 90 dias tenha sido de 8,6%, com perda líquida totalizando 4,6%. “Queremos aumentar a concessão de crédito, pois isso impulsiona as vendas, mas de forma sustentável. Existe uma demanda considerável, mas, devido ao cenário econômico, precisamos agir com cautela para evitar problemas de inadimplência”, concluiu Ito.
