Debate sobre Carnaval e Economia Criativa
Nesta quarta-feira, dia 11 de outubro, a renomada economista Mariana Mazzucato, que lidera o Institute for Innovation and Public Purpose (IIPP) da University College London (UCL), esteve em Salvador para um diálogo enriquecedor com uma série de especialistas baianos. Entre os participantes estavam os pesquisadores Paulo Miguez, Lúcia Queiroz, Goli Guerreiro, Armando Castro, Carolina Fantinel, Daniele Canedo e Francisco Assis, todos engajados na discussão sobre o Carnaval local.
A atividade faz parte de uma missão internacional de pesquisa que visa explorar as intersecções entre cultura, economia criativa e o Carnaval, uma iniciativa que resulta da colaboração entre o Ministério da Cultura e o IIPP-UCL, com apoio técnico da Unesco.
A Importância do Carnaval na Economia Criativa
Durante o encontro, Mazzucato enfatizou que a economia criativa deve ser vista como um projeto abrangente, utilizando o Carnaval como um caso emblemático para suas reflexões. Ela destacou a necessidade de reavaliar o papel público da festividade e a forma como é financiada, propondo a criação de ecossistemas culturais que sejam menos exploratórios e mais integrados.
Paulo Miguez, professor e reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), acrescentou que o Carnaval de Salvador se apresenta como um rico campo de estudo, abrangendo diversas dimensões, incluindo a organização, a estética e a identidade cultural. Entretanto, ele ressaltou que a relevância dessa manifestação cultural não foi devidamente reconhecida ao longo do tempo. “Só recentemente conseguimos estabelecer a Casa do Carnaval. É surpreendente que ainda não tenhamos realizado um Congresso Mundial do Carnaval, evento que até a Espanha já promoveu”, comentou Miguez.
A Dimensão Humana da Festa
A pesquisadora Carolina Fantinel também fez uma reflexão importante sobre o tema, ressaltando que, ao discutir o Carnaval, é essencial considerar o bem-estar das pessoas que fazem parte dessa celebração, desde os foliões que se divertem nas ruas até os trabalhadores que garantem a realização da festa. “Discutir o Carnaval é, em última análise, tratar da dignidade da vida humana”, enfatizou.
Encontro com Blocos Afro no Pelourinho
Em uma outra atividade, Mazzucato encontrou-se com representantes de importantes blocos afro, como Olodum, Muzenza, Bloco do Reggae, Os Negões, Bloco da Capoeira, Ilê Aiyê, Filhos de Gandhi e Didá. O encontro ocorreu na sede do Olodum, no Pelourinho, onde a economista pôde conhecer mais sobre o trabalho realizado por essas entidades e os desafios que enfrentam para se manterem ativas. “Estamos aqui para ouvir e aprender com vocês. Esse encontro é fundamental e contribuirá muito para a nossa pesquisa”, declarou Mazzucato.
João Jorge, presidente da Fundação Palmares, destacou que a criação dos blocos afros foi um marco que deu origem à ideia de Economia Criativa afro na Bahia. Ele sublinhou que, embora essa pauta ainda seja subestimada, a presença do Ministério da Cultura é crucial para dar a ela o reconhecimento que merece.
Visita à Fábrica Cultural
Ainda na quarta-feira, Mazzucato visitou a Organização Social Fábrica Cultural, situada na Península de Itapagipe, em Salvador. O espaço conta com 21 anos de história e atua como um polo de Economia Criativa, promovendo ações que fomentam o empreendedorismo entre a população local e pessoas de baixa renda em 27 territórios da Bahia. Atualmente, a Fábrica Cultural gerencia todo o artesanato do estado e possui cerca de 4.500 empreendedores cadastrados, além de oferecer capacitação gratuita voltada para o incentivo ao empreendedorismo.
Missão Internacional de Pesquisa
Além de Salvador, a missão internacional de pesquisa sobre cultura, economia criativa e Carnaval também passou pelas cidades do Rio de Janeiro e Brasília. Essa iniciativa é parte dos esforços do Governo do Brasil para reposicionar a cultura como elemento central no desenvolvimento nacional, no planejamento estatal e no fortalecimento das capacidades públicas.
Sobre a Economista Mariana Mazzucato
Mariana Mazzucato é uma proeminente professora de Economia da Inovação e de Valor Público na University College London (UCL), além de ser a Diretora Fundadora do UCL Institute for Innovation & Public Purpose (IIPP). Autora de livros reconhecidos, como “O Estado Empreendedor” (2013) e “A Grande Falácia” (2023), Mazzucato é uma referência global nos debates sobre inovação e economia pública.
