ACM Neto e a Corrida pelo Governo da Bahia
Em um evento de grande importância realizado em Porto Seguro, a oposição baiana se uniu para celebrar a memória do ex-senador Antônio Carlos Magalhães, com uma imagem gerada por inteligência artificial exibida no telão. Durante seu discurso, ACM Neto, do União Brasil, expressou seu amor pela Bahia e anunciou: “Sim, sou candidato a governador da Bahia”, desafiando o atual governador Jerônimo Rodrigues, do PT, nas eleições de 2026.
Essa declaração marca o início da disputa para a sucessão do governo baiano, que provavelmente trará à tona o embate já conhecido de 2022 entre Jerônimo e ACM Neto. Contudo, nesta nova fase, outros fatores podem influenciar a corrida, como a formação de uma chapa pura pelo PT e a união das forças oposicionistas no estado.
Estratégias em Jogo
Assim como nas eleições anteriores, o PT deve optar por nacionalizar a campanha, buscando um voto casado entre Jerônimo e Lula. Na eleição de 2022, Jair Bolsonaro obteve 72,1% dos votos no segundo turno na Bahia, enquanto o governador alcançou 52,7% dos votos.
ACM Neto, que anteriormente adotou uma postura de neutralidade em relação à eleição nacional, parece agora preparado para um embate direto contra o PT, embora pretenda focar em questões estaduais e evitar conflitos com o presidente Lula.
Diferente de 2022, quando o PL se apresentou em candidaturas isoladas, desta vez, os principais partidos da oposição estão se unindo. O ex-ministro da Cidadania, João Roma, que foi candidato ao governo na última eleição, está restabelecendo laços com ACM Neto e pode concorrer ao Senado.
Desafios e Oportunidades para Jerônimo
Por seu lado, o governador Jerônimo Rodrigues se prepara para reeleição com o apoio de mais de 300 prefeitos, uma estrutura política sólida, e a imagem de ser um governante próximo ao interior. No entanto, ele enfrenta um cenário menos favorável do que seus antecessores, devido a críticas em áreas como segurança pública e o desgaste acumulado por dois décadas de gestão petista na Bahia.
O governador buscou dissipar rumores sobre uma possível candidatura ao governo do ministro da Casa Civil, Rui Costa, confirmando sua intenção de concorrer à reeleição. O principal desafio de Jerônimo será gerenciar a disputa pelo Senado, onde o PT está considerando a formação de uma chapa pura com Rui Costa e o senador Jaques Wagner.
A Indecisão no Campo Oposto
Porém, essa estratégia pode deixar de fora o senador Angelo Coronel, do PSD, que tem reiterado sua candidatura ao Senado e não descarta a possibilidade de uma candidatura independente. Apesar disso, o PT acredita que a “chapa dos governadores” é a melhor maneira de aumentar as chances de reeleição de Jerônimo e fortalecer a posição de Lula, que obteve uma vantagem de quatro milhões de votos na Bahia em 2022.
Recentemente, Jaques Wagner divulgou um vídeo ao lado de Rui Costa e Jerônimo, destacando a união dos líderes em prol da Bahia e do Brasil. Jerônimo enfatizou seu compromisso em garantir que os aliados não saiam prejudicados durante as negociações e que fará compensações quando necessário.
Bastidores e Alianças em Formação
Nos bastidores, a possibilidade do filho do senador Angelo Coronel, o deputado federal Diego Coronel, ser candidato a vice-governador está sendo discutida. Entretanto, essa articulação pode gerar tensões com o MDB, que defende a permanência do vice-governador Geraldo Júnior na chapa.
Otto Alencar, do PSD, que não disputará a eleição, receberá uma indicação do filho, deputado federal Otto Alencar Filho, para uma função no Tribunal de Contas do Estado.
Segundo o cientista político Cláudio André de Souza, da Unilab, a próxima eleição na Bahia promete ser acirrada, com o desempenho dos candidatos em municípios grandes e médios sendo determinante para o resultado final. “A oposição tentará ampliar sua vantagem nas principais cidades, enquanto o PT se esforçará para diminuir a diferença e garantir um voto conjunto com Lula”, avaliou.
Os Desafios dos Candidatos
Para ACM Neto, o desafio será manter os votos conquistados entre os eleitores de Lula em 2022, especialmente nas grandes cidades, e reduzir a desvantagem em localidades menores. Jerônimo precisa, por sua vez, mitigar os desgastes acumulados nos últimos anos e criar um discurso convincente que encoraje os eleitores a manter o grupo político no poder há duas décadas.
Além de Jerônimo e ACM Neto, preveem-se candidaturas de outros nomes, como o ex-deputado José Carlos Aleluia, do Novo, e Ronaldo Mansur, do PSOL, confirmando que a corrida pela liderança da Bahia está apenas começando.
