Uma Iniciativa Histórica entre Cachoeira e Aného
No Recôncavo Baiano, o município de Cachoeira está dando um passo significativo na construção de laços internacionais. Recentemente, a prefeita Eliana Gonzaga (PT) recebeu a proposta para a criação de um projeto de cidades-irmãs com Aného, uma histórica cidade da antiga capital do Togo, localizada no oeste africano. A apresentação ocorreu em uma reunião realizada nesta quinta-feira (8), que contou com a presença do secretariado municipal e representantes do movimento negro, todos motivados pelo fortalecimento das conexões históricas, culturais e institucionais entre as duas localidades.
A ideia para essa parceria surgiu durante a participação de integrantes do Fórum de Entidades Negras da Bahia (FENEBA) na 9ª Conferência Pan-africana, que foi realizada em dezembro no Togo. A partir de diálogos com líderes da região, o projeto evoluiu, focando em áreas como educação, cultura, ciência, artes e comércio, além de promover relações diplomáticas e institucionais entre Brasil e Togo, tendo Cachoeira como base de experiência.
Articulação do Movimento Negro
De acordo com Samuel Azevedo, assessor de relações internacionais do FENEBA e administrador público, o início do debate ocorreu em Lomé, capital do Togo, durante uma conversa com o prefeito de Aného, Alexis Coffi Aquereburu. Nessa ocasião, foram identificadas semelhanças históricas e culturais que conectam as duas cidades, levando a um diálogo sobre a criação de parcerias em diversas áreas, incluindo uma representação cultural togolesa na Bahia.
“A proposta inicial evoluiu para um projeto de irmandade, promovendo o desenvolvimento mútuo e a possibilidade de acordos em educação, cultura, ciência, artes e comércio. Isso também amplia transações como a emissão de vistos”, enfatizou Azevedo, que também foi responsável pela adaptação legal do projeto para a administração municipal. O assessor avaliou positivamente a receptividade da prefeita, destacando que a proposta está alinhada com questões estruturantes da cidade e a luta antirracista, que são parte das diretrizes da atual gestão.
Um Novo Ciclo de Relações
Durante o encontro, a prefeita Eliana Gonzaga mostrou-se aberta à iniciativa e estabeleceu um prazo até o final do mês para que o setor jurídico da prefeitura prepare a documentação necessária para o avanço do projeto. A cidade de Aného, localizada no Golfo da Guiné, conta com cerca de 30 mil habitantes e sua economia é baseada na agricultura e na pesca artesanal. Assim como Cachoeira, Aného desempenha um papel significativo na história da diáspora africana e na construção cultural de seu país, o que fortalece a necessidade de uma relação institucional permanente entre os dois municípios.
Raimundo Bujão, presidente do Feneba, ressaltou que o projeto de cidades-irmãs representa um novo momento para a entidade, que reúne representantes de blocos afro e organizações do movimento negro, celebrando 25 anos de sua fundação. Segundo Bujão, a iniciativa simboliza a abertura de um novo ciclo de articulação internacional, fundamentado na cultura, memória e identidade negra.
Fortalecendo o Papel Estratégico de Cachoeira
A reunião contou ainda com a presença de figuras relevantes, como Antônio Carlos Vovô, presidente do Ilê Aiyê, Gutierres Barbosa, coordenador nacional do Setorial Inter-religioso do PT, e Ivan Alex, assessor especial do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Esses representantes reforçaram o caráter institucional e político da proposta apresentada.
A articulação internacional com Aného se junta a outras iniciativas recentes que evidenciam a importância estratégica de Cachoeira no contexto estadual. Um exemplo notável é a nova parceria entre a Santa Casa de Misericórdia de Cachoeira e a Fundação José Silveira, com o apoio do Governo da Bahia, visando a reabertura do Hospital São João de Deus, essencial para a assistência à saúde tanto no município quanto na região do Recôncavo.
