Transformação e Inovação na Cacau Show
A Cacau Show, tradicionalmente conhecida por seus chocolates, está se reinventando. A empresa, conforme reportou a Bloomberg Línea, não se limita a ser apenas uma fabricante de chocolates; está investindo em uma experiência completa para o consumidor. Nos últimos anos, a marca avançou significativamente na criação de sua rede de hotéis sob a bandeira Bendito Cacao, além de desenvolver um parque de diversões temático, o Cacau Park, em São Paulo. Esses projetos visam estruturar a empresa como um verdadeiro ‘ecossistema’, segundo Alê Costa, fundador e CEO da Cacau Show.
Costa, em entrevista, destacou: “Nós somos um ecossistema. A Cacau Show não é apenas uma indústria de chocolates.” O empresário acredita que o futuro é promissor e que nos próximos três a cinco anos, as iniciativas fora do setor de chocolates podem representar até 50% dos negócios da holding. Isso demonstra um plano arrojado que visa diversificação e inovação
A História e o Crescimento da Cacau Show
A Cacau Show foi fundada em 1988, mas a jornada de Costa com chocolates começou muito antes, aos 17 anos, quando ele começou a fazer ovos para a Páscoa. A primeira loja física foi inaugurada em 2001 e, no ano seguinte, a empresa começou a expandir por meio do modelo de franquias, que continua forte até hoje. Com um total de 4.714 lojas no Brasil, das quais 4.292 são franqueadas e 422 próprias, é evidente o papel crucial que os franqueados desempenham na trajetória da marca.
Desafios e Estratégias de Custo
A Cacau Show enfrenta desafios significativos, especialmente com o aumento drástico no preço do cacau, que subiu de cerca de US$ 3 mil a tonelada para quase US$ 12 mil. Essa situação levou a empresa a revisar sua estratégia de preços. Em palavras de Costa: “Caiu quase 50% do nosso lucro.” O cacau compõe entre 40% e 50% do custo de produção dos produtos da marca.
Surpreendentemente, a companhia decidiu não repassar integralmente os aumentos de custos aos franqueados, optando por absorver parte do impacto. Essa estratégia visou proteger a rede de franquias, que é vital para a operação da empresa, mesmo que isso signifique margens menores no curto prazo. A Cacau Show também mantém contratos de compra antecipada de cacau, o que ajuda a reduzir os efeitos das flutuações de preços. “Hoje temos contratos fechados até 2026 e 2027”, complementou o executivo.
Produtividade e Sustentabilidade
Outra estratégia importante para a Cacau Show é o controle da cadeia de suprimentos. A empresa possui uma operação própria de cacau na Fazenda Dedo de Deus, no Espírito Santo, onde cultiva mais de 50 mil pés e produz anualmente cerca de 85 toneladas da amêndoa. Embora essa produção represente apenas 5% da demanda total, Costa planeja expandir essa capacidade, buscando terras para implementar um modelo agrícola mais produtivo que o método atual, que oferece baixos rendimentos.
Expansão para Novas Frentes
Com uma produção de 40 mil toneladas de chocolate prevista para 2025, a Cacau Show pretende crescer 14% neste ano. Além disso, a empresa está se expandindo para o setor de turismo, operando dois resorts – um em Águas de Lindóia e outro em Campos do Jordão, que iniciou suas atividades em 2021. As diárias variam de R$ 1.188 a R$ 3.164, dependendo da acomodação.
Paralelamente, um parque temático em Itu está em construção, com um investimento estimado em R$ 2,5 bilhões. Esta iniciativa marcou a entrada da Cacau Show no mercado de entretenimento após a aquisição do grupo Playcenter. O executivo ressaltou que “o chocolate é a nossa paixão” e que a empresa está levando essa experiência para novas verticais.
Metas Ambiciosas
Apesar de ainda haver um peso limitado das novas frentes de negócio no resultado geral, com hotéis e parques representando menos de 5% da receita, a expectativa é que essa situação mude. A Cacau Show tem um faturamento anual em torno de R$ 5 bilhões no sell-in, que se refere às vendas para franqueados e lojas, e R$ 9 bilhões no sell-out, que representa as vendas ao consumidor final. A ambição é alcançar R$ 10 bilhões em faturamento no sell-in e R$ 20 bilhões no sell-out até 2030, com eventos como a Páscoa ainda sendo cruciais para esse crescimento.
Para 2026, a empresa prevê um crescimento de 13,6% no faturamento do período, com a produção estimada de 25,5 milhões de ovos. A linha LaCreme, por exemplo, representa uma parte significativa das vendas, contribuindo com 25% do faturamento de Páscoa e 20% do total anual.
Mesmo com a diversificação, Costa afirma que todas as iniciativas — parques, hotéis e chocolates — estão interligadas em torno da temática do cacau. Ele também mencionou os planos de expandir a presença internacional, com operações iniciais nos EUA e na Colômbia, embora o foco imediato permaneça no mercado brasileiro, enquanto a empresa consolida seus investimentos.
“Estamos organizando os investimentos e estruturando esse ecossistema”, concluiu Costa, reforçando a visão ampla da Cacau Show para o futuro.
