Uma noite de celebração da cultura negra
No último dia 16, o Bloco Afro Muzenza do Reggae iluminou o Circuito Dodô (Barra-Ondina) com seu desfile, marcando mais de quatro décadas de resistência e de vivência da cultura negra no Carnaval de Salvador. O Muzenza, que é uma das 95 entidades beneficiadas pelo programa Ouro Negro, lançado pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA), conta com um investimento recorde de R$ 17 milhões neste ano.
Jorge Santos, diretor-presidente do bloco, expressou sua alegria ao liderar o Muzenza, especialmente em um ano tão significativo, quando celebram 45 anos de sua fundação. “Estamos animados para mais um Carnaval, em meio a essa história de luta e resistência. Para esta edição, trazemos a força e o brilho característicos do Muzenza”, comentou Santos.
O programa Ouro Negro visa garantir a presença de blocos afro, afoxés, grupos de samba, reggae e blocos de índio em diversos circuitos da capital baiana e em oito cidades do interior. Tal iniciativa fortalece as manifestações populares e ajuda na preservação da ancestralidade cultural.
A mistura de ritmos e a identidade cultural
Fundado em 5 de maio de 1981, no bairro da Liberdade, como uma homenagem a Bob Marley, o Muzenza tornou-se uma referência cultural, combinando ritmos de samba com influências jamaicanas e raízes africanas ao longo dos anos. Isso fez com que o bloco se destacasse tanto no Brasil quanto no exterior.
O desfile deste ano atraiu centenas de foliões, que não apenas aproveitaram a música, mas também celebraram a identidade e a luta da população negra, expressas nas vestimentas, nas letras das músicas e na energia vibrante do bloco.
A artesã Maria da Conceição, que acompanha o Muzenza há três décadas junto com seu esposo, destacou a importância dos blocos afro na folia. “Sou suspeita para falar, mas considero esse um dos blocos mais apaixonantes de Salvador. O Ouro Negro é essencial para proporcionar oportunidades aos blocos”, enfatizou Conceição.
