Impacto do Aumento no Diesel
No mês de abril, os soteropolitanos sentiram na pele o impacto do aumento dos combustíveis, que influenciou diretamente no bolso. A prévia da inflação (IPCA-15) para Salvador e a Região Metropolitana (RMS) mostrou uma alta de 1,19%, o que representa o maior índice registrado em 25 anos para o mês. Essa elevação é impulsionada principalmente pelo grupo de Transportes, que subiu 3,43%, sendo o aumento nos combustíveis a principal razão dessa pressão, com uma escalada de 13,66%. O reflexo dessa alta também se fez sentir em Alimentação e Bebidas, que avançou 1,19%, evidenciando como os custos do diesel reverberam até a mesa do consumidor.
Esse aumento não é um fenômeno isolado. Dados recentes indicam uma trajetória ascendente do diesel em todo o Brasil. Um levantamento da Gestran revelou que, entre fevereiro e março de 2026, o combustível teve uma alta média de 14,7% no país, enquanto na Bahia, essa elevação foi ainda mais acentuada, alcançando 17,78%. O resultado prático desse cenário é que o litro do diesel saltou de R$ 5,74 para R$ 6,59 na média nacional, um aumento significativo de R$ 0,85. O preço médio na Bahia atingiu R$ 6,78 em março, tornando-se um dos mais elevados do levantamento.
Diesel: Um Gatilho Inflacionário
Diferentemente de outras regiões do Brasil, onde os reajustes seguem a política da Petrobras, a Bahia opera sob a dinâmica da Refinaria de Mataripe. Essa situação gera repasses mais frequentes e ajustados ao mercado internacional. O diesel, portanto, não se limita a ser um combustível; ele se torna uma ferramenta de transmissão de preços.
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O economista Edval Landulfo, em entrevista ao portal A TARDE, explica que “o diesel funciona como uma taxa de transmissão obrigatória. A Bahia, com sua dependência crítica do transporte rodoviário, sente rapidamente qualquer variação nos preços da refinaria de Mataripe. Isso se reflete diretamente no prato do consumidor”. Segundo ele, o diesel é a base da cadeia produtiva. “Quando a Acelen aplica um reajuste de 20%, o impacto no IPCA é direto, não só na bomba, mas também em fretes e na logística.”
Efeito Rápido no Setor de Hortifrúti
O aumento no preço do diesel tem efeitos quase imediatos no setor de hortifrúti, que, diferentemente de produtos industrializados, não pode ser estocado. Frutas, legumes e verduras necessitam de reposição frequente. Em um estado com alta dependência do transporte rodoviário, os custos do combustível são repassados rapidamente para o consumidor.
Landulfo enfatiza que “a alta de 13,66% nos combustíveis se reflete nos alimentos. O combustível é o principal custo variável do transporte, o que significa que se o diesel sobe na refinaria, o frete é reajustado imediatamente”. A falta de estoque de produtos como tomate e cebola, que têm alta perecibilidade, faz com que os preços na prateleira reflitam os aumentos dos combustíveis da semana.
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Impacto no Preço dos Alimentos
A pressão inflacionária sobre os alimentos (1,19%) foi liderada pelos itens que mais precisam de transporte constante. Em abril, os tubérculos e raízes tiveram um aumento de 12,78%. Especialmente, a cenoura subiu 28,22%, o tomate 22,47% e a cebola 14,22%. Mesmo com a queda de 23,15% nas passagens aéreas, o alívio é limitado, pois combustíveis e alimentos afetam a rotina de todos.
“O diesel tem um poder contagiante que a passagem aérea não possui. O aumento do diesel impacta quem viaja, quem usa ônibus, quem consome e quem produz, ou seja, todos”, destaca Landulfo.
A Gasolina e o Efeito na Cidade
Além do diesel, o aumento da gasolina, que teve reajuste de 10,2% no final de abril, também influencia os preços nas cidades, especialmente na chamada “última milha” da distribuição. Pequenos mercados, feirantes e distribuidores dependem de veículos que operam com gasolina para suas operações. “Se o diesel encarece o tomate na entrada da cidade, a gasolina garante que o preço final nas prateleiras seja ainda maior”, ilustra o economista.
Estratégias para Combater a Inflação
Com o custo logístico se refletindo quase que instantaneamente nos preços, é fundamental que o consumidor busque formas de proteger seu orçamento. Uma estratégia é a substituição por época: itens em pico de safra geralmente apresentam preços mais negociáveis no atacado. Outra dica é aproveitar integralmente os alimentos, reduzindo desperdícios e incorporando talos e cascas nas receitas. Além disso, uma visita frequente à feira pode ser vantajosa, já que os produtos são perecíveis e os preços se ajustam diariamente.
O cenário inflacionário exige atenção redobrada. Com o diesel operando como um fator de pressão nos preços, a realidade é que mesmo com maior oferta de produtos, o alívio para o consumidor pode demorar a chegar, mantendo a pressão sobre as finanças das famílias baianas.
