Conscientização e Agilidade no Atendimento ao AVC
O conhecimento sobre os sintomas do Acidente Vascular Cerebral (AVC) e a rapidez no atendimento são cruciais para salvar vidas e minimizar sequelas. De acordo com especialistas, reconhecer os primeiros sinais e agir prontamente, especialmente ao solicitar ajuda médica, pode fazer toda a diferença. Essa ação pode impactar diretamente nas estatísticas alarmantes que colocam o AVC e o infarto entre as principais causas de morte no Brasil.
Ricardo Bial, um jornalista com ampla experiência na comunicação em saúde, destaca que, ao longo das campanhas anuais de mobilização e conscientização, sempre se surpreendeu com a falta de informações essenciais sobre a doença. “Muitas pessoas não conhecem os principais sintomas e não sabem como agir quando elas ou alguém próximo está enfrentando um AVC”, explica Bial, que é o criador do aplicativo AVC BR, desenvolvido pela Rede Brasil AVC.
Aplicativo AVC BR: Um Aliado na Emergência
Disponível gratuitamente nas principais lojas de aplicativos, o AVC BR se torna um recurso valioso para identificar os sintomas de um derrame, solicitar ajuda e localizar a unidade de saúde mais próxima. O app oferece uma lista dos centros médicos especializados em AVC no Brasil, todos certificados pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial do AVC. “A janela para um atendimento eficaz é muito curta, cerca de quatro horas”, ressalta Bial.
Com uma interface amigável, a ferramenta apresenta ícones para Sintomas, Prevenção, Educação e Serviços, além de um link direto para contato com o Samu. O app inclui um teste simples, desenvolvido pelo serviço de emergência, que ajuda a identificar o AVC através de três etapas: solicitar que a pessoa sorria, levante ambos os braços e repita uma frase ou cante uma música. Dentre os principais sintomas a serem observados estão a paralisia facial, fraqueza súbita, fala confusa, dor de cabeça intensa, alterações na visão, tontura e perda de equilíbrio.
Geolocalização e Rede de Hospitais
O aplicativo utiliza recursos de geolocalização para oferecer uma rede de 400 hospitais. Por exemplo, para quem reside no bairro de Nazaré, as principais opções incluem o Hospital Santa Izabel ou o Hospital Roberto Santos, dependendo se o atendimento é particular ou via SUS. “Ir a um hospital qualquer não é suficiente; é vital que a equipe esteja treinada para diferenciar um AVC isquêmico de um hemorrágico e que a unidade tenha tomógrafo disponível”, observa Bial.
Além de atuar na salvação de vidas, o aplicativo também busca chamar a atenção para a importância da prevenção e de mudar o que Bial define como o ‘algoritmo negativo’ da doença. De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 400 mil pessoas sofreram Acidentes Vasculares Cerebrais em 2024, um número que tende a se repetir em 2025, resultando em mais de 85 mil mortes. Na Bahia, até outubro do ano passado, foram registradas 2,7 mil mortes, com um aumento de 3,3% em relação ao ano anterior.
A Tecnologia a Serviço da Saúde
Se a tecnologia é amplamente utilizada para entretenimento e informação, por que não aproveitá-la para enfrentar um sério problema de saúde pública? O aplicativo também oferece jogos para ajudar na recuperação dos usuários e contatos de associações e entidades médicas. As informações contidas no app são validadas por profissionais de diversas áreas como médicos, enfermeiros, nutricionistas e fonoaudiólogos.
Bial destaca ainda a colaboração com o programa Farmácia Popular do Ministério da Saúde, uma vez que muitos pacientes que sofrem AVC apresentam comorbidades como hipertensão, diabetes e colesterol alto. O aplicativo também pode ajudar na obtenção de medicamentos necessários para o tratamento das sequelas.
Futuro do Aplicativo e Sensibilização da População
Esta é a segunda versão do aplicativo, que evoluiu de uma estrutura estática para uma plataforma interativa e com recursos de audiodescrição. Bial salienta que o app não contém publicidade e não coleta dados dos usuários. “Estamos planejando adicionar vídeos e incorporar mais recursos de inteligência artificial”, afirma.
“Esperamos sensibilizar a população, os meios de comunicação e o Ministério da Saúde para que haja investimento no aplicativo. O AVC deve ser visto como a principal preocupação de saúde da sociedade”, reflete Bial, acrescentando que a prevenção poderia representar uma significativa economia para os cofres públicos, visto que os custos com tratamentos são elevados e o impacto na vida das famílias é considerável.
O AVC ocorre quando os vasos sanguíneos que irrigam o cérebro estão obstruídos (AVC isquêmico, que é o mais comum) ou se rompem (AVC hemorrágico). A prevenção deve focar, principalmente, no controle de fatores de risco modificáveis, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado e sedentarismo.
