Avanços Notáveis na Alfabetização na Bahia
O Brasil conseguiu alcançar 66% de crianças alfabetizadas na idade apropriada em 2025, superando a meta nacional de 64% fixada para o período. Esse dado foi revelado pelo Ministério da Educação (MEC) na cerimônia de premiação da segunda edição do Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização, realizada em Brasília (DF). Neste cenário, a Bahia destacou-se, apresentando um avanço significativo e ultrapassando a meta prevista para o ano.
Durante uma coletiva de imprensa no Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador, a secretária estadual da Educação, Rowenna Brito, informou que o índice de alfabetização entre crianças cresceu 19 pontos percentuais de 2024 para 2025. Segundo a análise dos 417 municípios, 55% dos alunos do 2º ano do Ensino Fundamental estão alfabetizados, ultrapassando a meta de 50% estabelecida pelo MEC.
A criação do Programa Bahia Alfabetizada foi uma das principais estratégias para atingir esses resultados. “Quando entendemos que a responsabilidade de ensinar as crianças baianas a ler e escrever até os sete anos é dos municípios, percebemos a importância da intervenção do Governo do Estado. Ele tem atuado diretamente, auxiliando os municípios a enfrentar esse desafio e proporcionando o suporte necessário para essa mudança”, afirmou Rowenna, ressaltando o empenho do governador Jerônimo Rodrigues em alcançar a meta de 100% de alfabetização.
Ações Estratégicas para o Avanço da Alfabetização
Dentre as principais medidas adotadas pelo Estado, a secretária destacou a distribuição de livros e materiais pedagógicos gratuitos para os municípios que enfrentam mais dificuldades, a elaboração de um plano de recuperação da aprendizagem com duração de dez semanas, e a criação de comitês de monitoramento das políticas públicas. Além disso, são realizados encontros com gestores municipais e há ampliação de convênios para a construção de creches e melhorias na infraestrutura escolar.
Os dados preliminares também indicam uma melhora considerável no desempenho das cidades baianas. O número de municípios com mais de 60% de crianças alfabetizadas saltou de 11 para 56, enquanto o número de cidades com menos de 25% de crianças alfabetizadas caiu de 58 para apenas 10. “Esperamos que, em 2026, não haja mais municípios nesse último grupo, pois não podemos aceitar que 25% das crianças de um município não estejam alfabetizadas”, enfatizou Rowenna Brito.
Entre os casos de destaque, está o município de Macururé, localizado no semiárido baiano. Os dados revelaram um crescimento expressivo: em 2023, apenas 7% das crianças estavam alfabetizadas; em 2024, esse número dobrou para 14%; e, surpreendentemente, em 2025, chegou a 56%. Para a secretária, esse avanço é um reflexo do esforço conjunto entre o Estado e os municípios, ressaltando a importância do comprometimento dos prefeitos na busca por melhorias na alfabetização.
Mobilização para Acelerar Resultados até 2030
Na coletiva, o presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), Wilson Cardoso, também destacou a relevância da colaboração entre as diferentes gestões. Ele apresentou o calendário dos Encontros Territoriais 2026 do Movimento Bahia pela Educação, que reunirá gestores e especialistas para discutir estratégias de alfabetização. As reuniões estão agendadas para diversas cidades, incluindo Ilhéus e Salvador.
“Ninguém vai soltar a mão de ninguém até a Bahia alcançar os melhores índices na educação. Estamos sempre construindo em parceria com o governo do Estado, com os secretários e prefeitos para não deixarmos a educação estagnada”, afirmou Cardoso.
Desafios e Caminhos a Seguir
O progresso da Bahia na alfabetização foi reconhecido pela Aliança pela Alfabetização, uma iniciativa que reúne organizações como a Fundação Lemann e o Instituto Natura. Especialistas apontam que, embora o aumento seja animador, o desafio agora é manter esse ritmo de crescimento.
Felipe Proto, vice-presidente de Educação da Fundação Lemann, comentou que os resultados obtidos são o resultado de decisões mais bem estruturadas e uma maior coordenação entre os municípios. “O foco deve ser não apenas continuar avançando, mas acelerar o processo. Isso requer aprofundar estratégias pedagógicas e garantir que todas as crianças tenham acesso à aprendizagem”, afirmou Proto.
Maria Slemenson, superintendente do Instituto Natura Brasil, também ressaltou que a parceria entre as redes de ensino foi fundamental para a conquista dos resultados. Contudo, a presença de 45% das crianças fora do nível adequado de aprendizagem indica que há muito a ser feito. “Reduzir as desigualdades e garantir a qualidade na implementação são desafios significativos”, destacou.
Rowenna Brito concluiu ressaltando a importância do engajamento da comunidade escolar e da sociedade. “Todos precisam compreender o papel da educação como uma ferramenta de transformação da vida das pessoas”, afirmou. Para 2026, a meta do MEC para a Bahia é alcançar 56% de crianças alfabetizadas na idade adequada, e a Secretaria da Educação do Estado está preparando novas estratégias de apoio aos municípios.
