Intoxicação por Metanol na Bahia: Um Histórico Preocupante
Recentemente, a Bahia voltou a estar sob os holofotes devido a casos suspeitos de intoxicação por metanol, uma substância extremamente perigosa. A Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) confirmou a morte de um homem de 56 anos em Feira de Santana, apenas quatro dias após sua internação hospitalar. Este caso é o primeiro de 2025 e reabre um capítulo sombrio da história do estado, marcado por um grave surto na década de 1990, quando pelo menos 51 pessoas perderam a vida devido à intoxicação por metanol.
Os registros iniciais datam de julho de 1990, na cidade de Santo Amaro, no Recôncavo baiano. Naquele episódio, 16 pessoas faleceram e outras 20 precisaram de hospitalização após ingerirem bebida alcoólica contaminada com metanol. Muitas das vítimas que sobrevieram enfrentaram graves sequelas, como cegueira e surdez. Em 1999, a Sesab anunciou que, ao todo, 35 vidas haviam sido ceifadas pela mesma causa, incluindo uma mulher grávida de cinco meses.
Na mesma época, uma fábrica clandestina foi descoberta em Iguaí, no sudoeste da Bahia, onde se produziam 250 litros de cachaça por semana. A bebida, alarmantemente, era armazenada em tonéis previamente utilizados para metanol, elevando consideravelmente o risco de intoxicação em consumidores desavisados.
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O Perigo do Metanol: Entenda os Riscos
O metanol, ao contrário do etanol, é altamente tóxico e o organismo humano não consegue metabolizá-lo adequadamente. O professor e químico Maurício Victor, em uma entrevista à TV Bahia, destacou que o metanol é inodoro e insípido, o que torna sua detecção extremamente difícil. Quando a substância entra na corrente sanguínea, ela é transformada em formaldeído e, posteriormente, em ácido fórmico, um composto que pode causar sérios danos ao organismo, alterando o pH do sangue e destruindo tecidos.
O professor explicou que uma dose letal de metanol gira em torno de 1 ml por quilo de peso corporal. Por exemplo, uma pessoa que pesa 70 kg pode ser fatalmente intoxicada ao ingerir 70 ml da substância. O metanol se torna um alvo para produtores clandestinos, pois a falsificação de bebidas alcoólicas como whisky e vodca, que possuem alto valor de mercado, se torna financeiramente atraente.
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Desdobramentos do Caso Recente
Sobre o homem que faleceu em Feira de Santana, os familiares relataram que ele foi encontrado inconsciente em casa, com sinais de confusão e palidez. Após ser levado a uma unidade de saúde, os médicos acionaram os protocolos para investigar a possibilidade de intoxicação por metanol, considerando o histórico do paciente como alcoólatra crônico. A Sesab informou que amostras biológicas foram coletadas e serão analisadas, com resultados esperados em até sete dias.
Além do caso em Feira de Santana, a secretaria alertou sobre outros possíveis casos de intoxicação por metanol, que já resultaram em internações graves e até mortes em São Paulo nas semanas recentes. O metanol, usado industrialmente em solventes e produtos químicos, é extremamente perigoso e causa danos ao fígado, cérebro e nervos ópticos, podendo levar a cegueira, coma e morte.
Medidas de Prevenção e Vigilância
Na quinta-feira (2), a Sesab enviou orientações para as unidades de saúde, tanto da rede pública quanto da privada, para ficarem atentas a sintomas que possam indicar intoxicação por metanol. A secretaria pediu que qualquer notificação fosse imediatamente reportada para permitir investigações rápidas e implementação de medidas adequadas. O acompanhamento desse caso será realizado em colaboração com as equipes de vigilância estaduais e municipais, além da Secretaria de Segurança Pública da Bahia.
A situação é um lembrete sombrio da necessidade de se manter vigilância sobre a qualidade das bebidas consumidas e a importância de ações preventivas que possam evitar que tragédias como as da década de 1990 se repitam.
