Escuta Ativa para Enfrentar o Racismo e Assédio no Trabalho
A médica do trabalho Ana Paula Teixeira, autora do livro “Quando o Trabalho Dói: Do Adoecimento Silencioso à Cultura de Bem-Estar” e sócia da consultoria Escutaris, iniciou uma ação gratuita durante o Novembro Negro destinada a trabalhadores negros que sofreram racismo ou assédio no ambiente profissional. O objetivo é dar visibilidade aos efeitos da discriminação na saúde mental e destacar a necessidade de espaços laborais mais seguros, respeitosos e inclusivos.
Impactos da Discriminação na Saúde Mental
Na Bahia, onde 80,7% da população se declara preta ou parda, segundo dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), o enfrentamento à desigualdade racial no trabalho é também um tema central de saúde pública. Ana Paula explica que o assédio moral, as humilhações e o tratamento desigual no ambiente profissional podem desencadear ansiedade, depressão, esgotamento emocional e outros transtornos ligados ao trabalho.
Um estudo com trabalhadores da saúde em seis municípios baianos revelou que mulheres negras que enfrentam desequilíbrio entre esforço e recompensa têm três vezes mais probabilidade de apresentar transtornos mentais comuns do que homens brancos em condições equilibradas. Esse dado evidencia como fatores estruturais de raça, gênero e organização do trabalho atuam juntos, exigindo atenção especial à vulnerabilidade dessas populações.
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Fonte: gpsbrasilia.com.br
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Fonte: reportersorocaba.com.br
Denúncias e Decisões Judiciais na Bahia
O Ministério Público do Trabalho (MPT) registrou 791 denúncias de assédio moral e sexual em ambientes laborais na Bahia em 2023, o que representa cerca de duas ocorrências por dia útil. Em Salvador, um processo judicial envolvendo uma unidade da administração pública estadual reconheceu práticas de assédio moral organizacional e determinou medidas para proteger a saúde mental dos trabalhadores envolvidos.
Transformação Sistêmica nos Ambientes Corporativos
Segundo Ana Paula Teixeira, o sofrimento causado pela discriminação não deve ser visto como uma fragilidade individual, mas sim como reflexo de estruturas sociais presentes no cotidiano das organizações. Ela ressalta que, diante de humilhações e desrespeito, as empresas precisam agir como agentes de transformação, promovendo ambientes de trabalho saudáveis e colaborativos.
A médica destaca que a mudança passa por aprimorar a cultura organizacional com ações práticas, como o mapeamento e a gestão dos estressores psicossociais, avaliação da capacidade das lideranças para lidar com esses riscos, e formação focada em relações étnico-raciais. Projetos de diversidade e inclusão, protocolos claros de convivência e canais seguros para diálogo também são essenciais. “Uma gestão eficaz define objetivos claros, oferece suporte adequado, valoriza a diversidade e apoia líderes a exercerem a escuta ativa, a empatia e a corresponsabilidade”, explica.
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Fonte: ctbanews.com.br
Atendimentos Gratuitos Durante o Novembro Negro
Ao longo de novembro, Ana Paula disponibilizará atendimentos gratuitos de escuta ativa e orientação breve para trabalhadores negros que vivenciaram racismo ou assédio no trabalho. Além disso, líderes interessados poderão buscar apoio para melhorar práticas de gestão e promover a saúde mental das equipes.
Serão oferecidas oito vagas diárias durante as quatro semanas do mês, mediante agendamento pelo link https://bit.ly/4iVkkkF. A iniciativa visa transformar a escuta em ferramenta de prevenção e conscientização, reforçando que promover a equidade racial é fundamental para garantir saúde mental e dignidade no ambiente profissional.
