FICC Bahia 2026 destaca a importância da economia circular
O Fórum de inovação, Cultura e Criatividade da Bahia (FICC), promovido pelo Sebrae, realizou uma mesa de discussão crucial dentro da 12ª edição do Simpósio Internacional de Inovação e Tecnologia (SIINTEC). O encontro, ocorrido no Senai Cimatec, em Salvador, abordou o tema “Economia circular e desenvolvimento territorial”, reunindo o prefeito de Maringá, Silvio Barros, a presidente do Instituto Brasileiro de Economia Circular (IBEC), Beatriz Luz, e o representante de Relações Institucionais do Senai Cimatec, Walter Pinheiro.
Economia circular: transformação de processos e pessoas
Antônio Carlos Borges, gerente da Unidade de Negócios do Sebrae Bahia, abriu a discussão ressaltando o papel da economia circular e criativa para a sustentabilidade e o futuro. Ele destacou que o SIINTEC é palco para tratar de temas como clima, energia e inovação, e que o FICC 2026 buscou reunir especialistas para apresentar experiências e gerar parcerias que fomentem uma nova economia com potencial transformador.
“Nosso objetivo é criar um ambiente favorável para a inovação e a transformação, com visão clara de construir uma economia que realmente faça diferença no futuro”, afirmou Borges.
Programa Maringá Lixo Zero: solução prática para resíduos urbanos
O prefeito Silvio Barros trouxe um exemplo concreto ao apresentar o Programa Maringá Lixo Zero, iniciativa que busca reduzir os resíduos que vão para o aterro sanitário da cidade, que gera cerca de 400 toneladas diárias. Com um edital voltado para empresas que ofereçam soluções inovadoras dentro do modelo circular, o programa pretende transformar o lixo em recurso, incentivando o reaproveitamento e a reutilização de materiais.
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Barros afirmou que a intenção é não apenas resolver o problema local, mas servir como referência para outras cidades, especialmente as menores, que enfrentam desafios semelhantes. “Queremos que, até o final do próximo ano, municípios em busca de soluções para a economia circular possam visitar Maringá e conhecer diferentes alternativas adaptáveis às suas realidades”, destacou.
Desafios e inovações na economia circular
Beatriz Luz, engenheira química e presidente do IBEC, trouxe uma análise aprofundada sobre os desafios para implementar a economia circular em larga escala. Para ela, o conceito vai além da reciclagem, envolvendo o reuso, o conserto e a criação de novos ciclos econômicos que agreguem valor aos produtos e reduzam o impacto ambiental.
Luz exemplificou com iniciativas inovadoras, como o uso de copos reutilizáveis para café, a transformação da casca de laranja em fibra têxtil, a aplicação do resíduo da concha de sururu na fabricação de tijolos e sistemas de compartilhamento de bicicletas. Esses modelos de negócio ampliam a vida útil dos produtos e promovem o compartilhamento, tornando a economia circular uma estratégia multissetorial e um plano estratégico para o desenvolvimento territorial sustentável.
Senai Cimatec e a economia circular em ação
Walter Pinheiro, representante do Senai Cimatec, destacou as ações da instituição para fortalecer a economia circular, promovendo inovação tecnológica e capacitação. O Senai atua na criação de soluções que facilitam o reaproveitamento de materiais e o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis, alinhadas à demanda do mercado e às necessidades regionais.
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Perspectiva dos catadores e cooperativas
No evento, catadores de material reciclável também participaram, trazendo a visão prática da economia circular. Valdenei de Oliveira, presidente da Associação de Catadores do Território do Sisal, em Ichu, ressaltou a importância da educação ambiental, destacando o projeto do minhocário como uma ferramenta eficaz para sensibilizar crianças e promover o destino correto do lixo orgânico nas escolas.
Já Nildo Jose da Silva, presidente da Cooperativa VerdeCoop, de Entre Rios, refletiu sobre a necessidade de avançar tecnologicamente para além da coleta seletiva. Ele defende o investimento em tecnologias para transformar resíduos em novas matérias-primas dentro das unidades, ampliando inclusive a compostagem tradicional para gerar outros produtos e agregar valor ao trabalho realizado pela cooperativa.
Impacto direto na economia local e regional
O FICC Bahia 2026 reuniu diversos atores para debater como a economia circular pode ser um motor de desenvolvimento territorial, gerando empregos, reduzindo custos e promovendo a sustentabilidade. O evento reforça a importância de integrar políticas públicas, inovação tecnológica e participação social para transformar a economia tradicional em um modelo mais eficiente e sustentável.
Esse movimento não apenas contribui para o meio ambiente, mas também cria oportunidades reais para negócios e trabalhadores, especialmente em regiões que buscam alternativas viáveis para o crescimento econômico sustentável.
