Bahia reforça posição como segundo maior polo produtor de algodão no Brasil
A Bahia celebra o Dia Mundial do Algodão nesta quarta-feira (07/10/2026) consolidada como o segundo maior produtor da fibra no país. Segundo dados da Produção Agrícola Municipal (PAM) 2025, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 17/09/2026, o estado colheu 1.830.972 toneladas de algodão herbáceo em caroço, atingindo um valor de produção de R$ 7,85 bilhões. A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (Seagri) destaca que esse montante representa um crescimento nominal de 21,9%, o que equivale a cerca de R$ 1,4 bilhão a mais do que em 2024.
Algodão se mantém como segunda cultura de maior valor no estado
O desempenho econômico coloca o algodão atrás apenas da soja, que movimentou R$ 16,55 bilhões em 2025. A cultura supera outras tradicionais, como o café, com R$ 6,91 bilhões, e o cacau, que alcançou R$ 5,80 bilhões. Embora os números da PAM considerem preços correntes e incluam variações de mercado, o crescimento nominal não significa necessariamente aumento real de renda após descontada a inflação.
Oeste da Bahia concentra a maior parte da produção
A produção está fortemente concentrada no Oeste baiano, região de Cerrado que oferece relevo adequado para agricultura em larga escala, com uso intenso de tecnologia e mecanização. A PAM 2025 indica que 407 mil hectares foram destinados ao algodão no estado, com produção de pouco mais de 1,83 milhão de toneladas em caroço.
São Desidério lidera com 700.456 toneladas, figurando também como o terceiro maior produtor brasileiro. Logo após, aparecem municípios como Formosa do Rio Preto (281.983 toneladas), Correntina (227.146 toneladas), Riachão das Neves (176.619 toneladas) e Barreiras (144.529 toneladas). Outras cidades do Oeste, como Jaborandi, Luís Eduardo Magalhães e Cocos, também participam da cadeia produtiva, reforçando que o núcleo econômico da cotonicultura está concentrado nessa região.
Crescimento do valor da produção e desafios do setor
O valor da produção de algodão na Bahia atinge R$ 7,85 bilhões, atrás apenas da soja no ranking estadual. Nacionalmente, o algodão herbáceo gerou R$ 40,57 bilhões, com Mato Grosso na liderança. O crescimento de 21,9% na Bahia reflete tanto o aumento da produção quanto das cotações médias recebidas pelos produtores.
Entretanto, esse indicador não corresponde, isoladamente, à rentabilidade do setor. O mercado do algodão é influenciado por fatores como produtividade, variações cambiais, preços internacionais, custos de insumos, logística e condições comerciais. Apesar do crescimento, o setor enfrenta riscos ligados à volatilidade da commodity.
Produtividade alta sustentada por tecnologia e manejo
A produtividade média da cotonicultura baiana mantém-se em patamares elevados. Dados da Seagri e da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) indicam rendimento médio de cerca de 2.000 quilos de pluma por hectare na safra 2023/2024, resultado da combinação de solo, clima, relevo favorável, mecanização avançada e uso de agricultura de precisão.
Assis Pinheiro Filho, diretor de Desenvolvimento da Agricultura da Seagri, destaca que o equilíbrio entre tecnologia e condições naturais impulsiona essa produtividade. É importante notar que a PAM registra a produção em toneladas de algodão em caroço, enquanto os indicadores de produtividade se referem à pluma, após beneficiamento, o que exige atenção para comparações precisas.
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Controle do bicudo-do-algodoeiro é essencial para garantir resultados
A produtividade também depende do controle rigoroso do bicudo-do-algodoeiro, principal praga da cultura. A Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) mantém protocolos rigorosos de vazio sanitário, destruição de soqueiras e fiscalização para impedir a sobrevivência do inseto entre safras.
Essa ação coordenada entre produtores, entidades e fiscalização pública é fundamental para evitar reinfestações e preservar a saúde das lavouras. O secretário estadual da Agricultura, Vivaldo Góis, que assumiu em 2 de abril de 2026, ressalta que o sucesso do setor passa pela integração entre tecnologia, manejo e defesa agropecuária.
Investimentos públicos fortalecem infraestrutura e sustentabilidade
O Programa para o Desenvolvimento da Agropecuária (Prodeagro) tem sido peça-chave no avanço da cotonicultura, financiando obras de infraestrutura no Oeste que melhoram circulação e escoamento da produção. Segundo Vivaldo Góis, a estratégia estadual busca unir ganhos de produtividade a melhorias logísticas e práticas sustentáveis.
Com o crescimento da produção destinada ao mercado externo, a capacidade regional de transporte, beneficiamento, armazenagem e acesso a portos torna-se crucial para a competitividade do algodão baiano.
Indicação Geográfica pode agregar valor à pluma branca do Oeste
Produtores e instituições vêm avançando na obtenção de uma Indicação Geográfica (IG) para a pluma branca produzida no Oeste da Bahia. Em 7 de abril de 2026, a Seagri promoveu reunião para discutir os passos necessários ao reconhecimento, e em 9 de junho, durante a Bahia Farm Show, foi formalizado um grupo de trabalho para acompanhar o processo.
Essa iniciativa visa associar a origem geográfica às qualidades da pluma, fortalecendo sua diferenciação comercial. O reconhecimento oficial depende do cumprimento de critérios técnicos, territoriais e de governança.
Exportações impulsionam a cadeia produtiva local
O mercado internacional é peça fundamental para a cotonicultura baiana. Cerca de 60% a 70% da pluma produzida no estado destina-se à exportação, principalmente para países asiáticos com forte indústria têxtil, como China, Bangladesh, Paquistão, Vietnã e Turquia.
Dados do primeiro semestre de 2026 do Banco do Nordeste indicam que a Bahia concentrou 88% das exportações de algodão do Nordeste, com a China respondendo por 24% das vendas. A composição dos destinos varia conforme condições de mercado e período, o que exige atenção constante dos produtores.
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Produção nacional caminha para recorde histórico
O cenário baiano acompanha a expansão nacional. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou em 15/09/2026 que o Brasil deve produzir 4,14 milhões de toneladas de pluma na safra 2025/2026, o maior volume da série histórica. A área plantada é projetada em 2,02 milhões de hectares, com produtividade média recorde de 2.053 quilos por hectare.
Esse crescimento reforça a posição do país no comércio internacional, elevando a importância de infraestrutura, abertura de mercados e controle de custos para manter competitividade.
Transformação da cotonicultura do Oeste baiano desde os anos 1990
A produção atual é fruto de uma transformação iniciada em 1995, quando o cultivo alcançava 2.400 hectares. A introdução de tecnologia, mecanização e pesquisa adaptada ao Cerrado impulsionou a expansão.
Entre 1990 e 2000, a produção saltou de 7.583 para 123.769 toneladas. Pesquisas sobre cultivares, produtividade e controle fitossanitário intensificaram-se, acompanhando a transferência da cotonicultura para áreas com relevo plano e condições favoráveis à agricultura mecanizada.
Dia Mundial do Algodão destaca comércio e desenvolvimento sustentável
Instituído em 2019 por países africanos do grupo Cotton-4 e reconhecido pela ONU em 30/08/2021, o Dia Mundial do Algodão, celebrado em 7 de outubro, aborda temas como produção, transformação industrial, comércio e cooperação internacional.
A edição de 2026 tem como tema “Algodão para o bem comum: construindo prosperidade por meio do comércio, da transformação e da colaboração”. No contexto baiano, a data reforça o desafio de ampliar o beneficiamento da fibra para agregar valor além da comercialização como commodity.
Impacto econômico e desafios futuros
O algodão deixou de ser uma cultura regional para assumir papel estratégico na economia baiana, com valor de produção de R$ 7,85 bilhões. O crescimento nominal de 21,9% mostra sua força, mas não necessariamente traduz lucro ou rentabilidade para os produtores, que enfrentam variáveis como preços internacionais, custos, câmbio e logística.
A dependência do mercado externo, especialmente asiático, torna a Bahia sensível a variações globais. O controle fitossanitário rigoroso e a coordenação entre poder público e setor produtivo permanecem essenciais para sustentar a produtividade e a competitividade da cadeia cotonicultora no estado.
