Panorama das Propostas para a Saúde na Bahia
Seis candidatos disputam o governo da Bahia nas eleições de 2026, trazendo planos detalhados para a área da Saúde. A corrida eleitoral, que começou oficialmente em 16 de agosto e segue até 3 de outubro, reúne nomes como ACM Neto (União Brasil), Ariel Capistrano (DC), Aroldo Félix (UP), Jerônimo Rodrigues (PT), Maria Bona (PCO) e Ronaldo Mansur (PSOL). Cada um deles apresentou propostas em seus planos de governo, que prometem impactar o Sistema Único de Saúde (SUS) no estado.
ACM Neto: Regulação e Regionalização para Melhorar o SUS
ACM Neto aposta na modernização da regulação do SUS com inspiração no modelo da Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde de São Paulo (Cross). A proposta inclui uma central de regulação regionalizada, com prazos definidos e acompanhamento rigoroso, garantindo que o critério de alocação de vagas seja exclusivamente clínico, sem interferência política. A transparência é reforçada com dados públicos acessíveis para o controle social.
Além disso, a adoção de uma fila única com inteligência artificial visa unificar o agendamento de cirurgias eletivas em todo o estado, antecipando variações e picos de demanda para otimizar a alocação de leitos. Outra iniciativa prevê o acesso direto do SAMU aos hospitais mais próximos, sem burocracia, ampliando a capacidade de recepção das unidades de referência.
Entre os pontos mais urgentes, Neto propõe a implantação de serviços emergenciais completos para as quatro condições que mais causam mortes: trauma, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e parto de alto risco, distribuídos por macrorregiões da Bahia.
Fortalecimento da Rede e Atenção Primária
Na regionalização da rede, hospitais municipais estratégicos serão estruturados como referências microrregionais, com especialidades básicas e suporte diagnóstico, além da construção de novos hospitais regionais em áreas com lacunas assistenciais. O programa PIX Saúde pretende contratar vagas em hospitais privados e filantrópicos para atender pacientes do SUS, com contratos claros sobre procedimentos, valores e prazos.
As policlínicas serão integradas aos fluxos formais de regulação, com contratos de desempenho e auditorias independentes para garantir metas e penalidades em caso de descumprimento. A atenção primária será ampliada com expansão da Estratégia Saúde da Família, focando municípios com maior vulnerabilidade social, além da implantação de protocolos para o cuidado de pacientes com doenças crônicas, monitorados por agentes comunitários.
Tecnologia, Gestão e Inclusão
O plano também aposta na telemedicina e telessaúde como políticas de estado, com uma central estadual para apoio a médicos e enfermeiros da atenção primária, ampliando o acesso a especialistas sem deslocamentos. Um sistema de Business Intelligence será implantado para monitorar em tempo real indicadores hospitalares, vigilância de surtos e imunização, com transparência pública.
Os hospitais estaduais funcionarão com contratos de desempenho estabelecendo metas claras, enquanto o Planserv passará por uma reforma para ampliar a rede credenciada e garantir padronização assistencial. A desospitalização e a assistência domiciliar também terão reforço, com equipes multiprofissionais organizadas regionalmente para atender pacientes estabilizados em casa.
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Foco em Populações Vulneráveis e Prevenção
Entre as ações específicas, destaca-se o Pacto pela Redução da Mortalidade Infantil, com qualificação do pré-natal, ampliação de leitos de UTI neonatal fora da capital e rede de maternidades de referência com sistema de transporte sanitário integrado. Para oncologia, a descentralização do tratamento será promovida com centros regionais nas macrorregiões mais populosas.
A saúde mental e o atendimento a pessoas com transtorno do espectro autista terão ampliação de serviços de referência, distribuídos por macrorregiões para reduzir a concentração em Salvador. A vigilância sanitária será reforçada com coordenação contínua entre estado e municípios, especialmente para apoiar cidades menores.
O plano também prevê um plano estadual de recuperação vacinal, com busca ativa e equipes móveis, além de suporte técnico aos sistemas municipais e gestão por resultados com metas públicas e transparência total. Por fim, o programa Vida Pet Bahia será estruturado como sistema estadual de saúde animal, integrando bem-estar animal, saúde humana e proteção ambiental, com ampliação da rede pública e credenciamento de clínicas privadas.
Jerônimo Rodrigues: Novo Modelo e Saúde Digital
O candidato do PT, Jerônimo Rodrigues, apresenta um modelo que fortalece a regionalização e a gestão do SUS. Seu plano inclui a construção de 450 novas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e cinco novos hospitais e maternidades em cidades estratégicas como Jacobina, Itapetinga, Amargosa e Serrinha.
Jerônimo propõe a implantação do Programa Saúde na Palma das Mãos, uma plataforma digital integrada para facilitar o acesso da população, além da Policlínica Digital Bahia, que ampliará as teleconsultas e atenção especializada. O telemonitoramento será ampliado para pacientes com doenças crônicas, gestantes de alto risco e outros grupos vulneráveis.
Na atenção especializada, o plano prevê a expansão das Policlínicas Regionais e a implantação de hospitais estaduais e federais, além de serviços avançados como cirurgia robótica e ampliação da hemodinâmica e terapia renal substitutiva.
Rede de Serviços e Inclusão Social
A rede de cuidados à pessoa com deficiência será ampliada com 20 novos Centros Especializados em Reabilitação (CER) e o fortalecimento da rede domiciliar. A saúde mental receberá investimentos em novos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), unidades de acolhimento e residências terapêuticas, com foco na ampliação dos leitos e qualificação dos profissionais para manejo de crises.
O plano inclui ações específicas para saúde da mulher, materna e infantil, com foco na endometriose e partos seguros, além de ampliar a cobertura vacinal e a vigilância laboratorial em todo o estado. A Bahiafarma será fortalecida para ampliar a produção pública de medicamentos e insumos estratégicos.
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Fonte: aquidesalvador.com.br
Ronaldo Mansur, Ariel Capistrano, Maria Bona e Aroldo Félix: Visões Diversas pela Saúde Pública
Ronaldo Mansur (PSOL) defende um SUS 100% público e estatal, com expansão da atenção básica e incorporação de saberes tradicionais. Suas propostas abrangem desde a vigilância participativa até a regulamentação do uso medicinal da cannabis e a descriminalização do aborto, com foco na equidade racial e saúde mental.
Ariel Capistrano (DC) destaca a ampliação de leitos, construção e modernização de hospitais regionais, redução das filas e fortalecimento da atenção básica, além de ampliar o atendimento psicológico e programas de prevenção.
Maria Bona (PCO) propõe utilizar a riqueza do petróleo para financiar saúde e educação públicas, cancelar privatizações, ampliar verbas e construir hospitais e postos de saúde. Defende ainda a reabertura de cursos de medicina e piso salarial digno para profissionais da saúde.
Aroldo Félix (UP) apresenta um conjunto de 15 propostas, entre elas a extinção dos contratos privados no SUS e o fim das longas filas de regulação, com a capilarização dos hospitais e serviços de alta complexidade por todo o estado.
O Que Mudará para a População?
As propostas dos candidatos ao governo da Bahia para a área da Saúde mostram diferentes caminhos para enfrentar os desafios do SUS no estado. A regulação eficiente, a regionalização da rede, a ampliação da atenção primária e o uso de tecnologia são pontos comuns, ainda que com variações em prioridades e estratégias.
Para o cidadão, essas iniciativas podem significar menos tempo de espera, maior acesso a serviços especializados perto de casa, atendimento mais humanizado e qualidade nos cuidados, especialmente para grupos vulneráveis como gestantes de alto risco, pessoas com deficiência e pacientes crônicos.
O próximo passo, após as eleições, será a implementação dessas propostas com transparência e foco em resultados, garantindo que a saúde pública baiana atenda às necessidades reais da população.
