Agropecuária impulsiona crescimento econômico da Bahia
A agropecuária da Bahia registrou crescimento de 5,7% no segundo trimestre de 2026 frente ao mesmo período de 2025. O avanço foi alavancado por culturas como soja, algodão, café e cacau, além da expansão da pecuária bovina. Os dados fazem parte da terceira edição do Boletim de Conjuntura Agropecuária da Bahia (BCAB), divulgado pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) em parceria com a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri). Este desempenho reafirma o setor primário como um dos motores da economia estadual, que mantém a previsão de uma safra recorde de 13,3 milhões de toneladas de grãos em 2026.
Agropecuária supera crescimento do PIB estadual
O crescimento de 5,7% refere-se ao volume físico da agropecuária, que engloba agricultura, pecuária e atividades correlatas nas contas econômicas da Bahia. Este desempenho supera os 2,3% registrados pelo PIB estadual no mesmo período, cujo valor chegou a cerca de R$ 154,7 bilhões entre abril e junho. Nos últimos seis trimestres, a agropecuária manteve trajetória de expansão consistente, sucedendo um crescimento expressivo de 12,4% no quarto trimestre de 2025 e 5,8% no primeiro trimestre de 2026.
PIB do agronegócio atinge R$ 40,3 bilhões
Considerando toda a cadeia do agronegócio, que inclui insumos, indústrias de base, transporte, comércio e serviços, o setor cresceu 4,7% em termos reais no segundo trimestre. O PIB do agronegócio chegou a R$ 40,3 bilhões, representando 26,1% do total da economia baiana. A SEI divide o agronegócio em quatro agregados: insumos, agropecuária, indústrias de base agrícola e serviços associados. A diferença entre o crescimento da agropecuária (5,7%) e do agronegócio ampliado (4,7%) reflete a influência das demais etapas produtivas e dos preços praticados na cadeia.
Produção cresce, mas participação no PIB recua
Apesar do crescimento real da agropecuária, o valor corrente do PIB do agronegócio caiu de R$ 41,9 bilhões no segundo trimestre de 2025 para R$ 40,3 bilhões no mesmo trimestre de 2026, e sua participação na economia estadual recuou de 29,6% para 26,1%. Essa divergência é explicada pela queda nos preços de produtos agropecuários e alimentares, que impacta a renda nominal gerada pelo setor. Os dados são preliminares e sujeitos a revisão, mas já indicam a importância do preço na dinâmica econômica do campo.
Safra de grãos mantém previsão recorde de 13,3 milhões de toneladas
O LSPA de agosto de 2026 confirma a estimativa de 13,3 milhões de toneladas para a produção baiana de grãos, 3,2% acima de 2025. Este número representa uma revisão significativa em relação às projeções iniciais do IBGE, que indicavam queda de 4,7%. A melhora das condições climáticas e o desenvolvimento favorável das culturas foram determinantes para a revisão positiva das estimativas ao longo do ano.
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Soja lidera produção com quase 9 milhões de toneladas
A soja continua sendo a principal cultura na Bahia, com previsão de 8,93 milhões de toneladas em 2026, aumento de 3,8% em relação a 2025. A área plantada está estimada em 2,18 milhões de hectares, com rendimento médio de 4,1 toneladas por hectare. No Oeste baiano, principal região produtora, a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) reportou colheita de 9,448 milhões de toneladas, metodologia e calendário diferentes do IBGE, explicando as variações entre os números.
Algodão mantém posição de destaque nacional
A produção de algodão deve alcançar entre 1,84 e 1,85 milhão de toneladas, crescendo cerca de 2,8% sobre 2025, com área plantada de 410 mil hectares, alta de 2,5%. A Bahia é o maior produtor do Nordeste e o segundo maior do país, atrás apenas de Mato Grosso. O setor enfrenta desafios ligados a custos e preços internacionais, que afetam a rentabilidade mesmo com aumento da produção física.
Milho cresce impulsionado pelo etanol
A produção total de milho está estimada em 2,80 milhões de toneladas, com crescimento de 2,3%. A área plantada subiu 5%, para 630 mil hectares. Enquanto a primeira safra cresce 8,1%, a segunda deve registrar queda de 11,5%. A demanda por etanol tem impulsionado o consumo interno do milho, alterando o equilíbrio entre produção agrícola e indústria.
Café e cacau apresentam altas expressivas
Entre as culturas permanentes, o café deve produzir 294 mil toneladas, alta de 12,5%. O arábica cresce 1,7%, e o canéfora, 18,1%. O cacau deve alcançar 137 mil toneladas, aumento de 15,4%, mesmo com redução da área cultivada, devido à melhora no rendimento médio. Em contrapartida, a cana-de-açúcar e a mandioca apresentam quedas significativas na produção, evidenciando desempenho desigual nas cadeias produtivas.
Abate bovino bate recorde histórico
O abate de bovinos chegou a 390 mil cabeças no segundo trimestre, 0,9% acima de 2025 e o maior volume da série histórica. Este resultado acompanha o crescimento já observado no primeiro trimestre, que teve 349,4 mil cabeças abatidas, o melhor desempenho para o período desde 1997. O rebanho bovino baiano cresceu por quatro anos consecutivos e representa cerca de 5,7% do total nacional.
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Suínos, frangos e leite também avançam
O abate de suínos cresceu 4,9%, chegando a 74 mil cabeças, e o de frangos subiu 8,6%, com 36 milhões de aves abatidas. A aquisição de leite cru atingiu 161,1 milhões de litros, recorde para o primeiro trimestre. Esses números mostram que a pecuária baiana tem diversificado seu crescimento, reduzindo dependência da bovinocultura, embora cada segmento tenha desafios próprios.
Exportações de carnes sobem em valor e volume
As exportações de carnes da Bahia cresceram 17% em receita e 15,1% no volume exportado em relação ao segundo trimestre de 2025. Este avanço consolida o setor como peça-chave do agronegócio estadual, mas também o torna vulnerável às variações do mercado internacional, câmbio e políticas comerciais, que podem influenciar a rentabilidade mesmo com expansão da produção.
Recuperação da safra em 2025 impulsiona crescimento
O cenário atual é resultado da recuperação da safra de 2025, que teve alta de 12,8% em relação a 2024, com a soja avançando 14,3%. O final de 2025 registrou crescimento expressivo da agropecuária. Em 2026, as revisões constantes nas projeções refletem a influência do clima, área plantada e condições de mercado, que determinaram a perspectiva de novo recorde na produção.
Desafios estruturais e integração do setor
A ampliação da produção de milho para etanol, o peso da soja, a posição da Bahia no algodão, a recuperação do cacau e café, e o aumento do abate bovino fortalecem os vínculos entre o campo, indústria, transporte, comércio e exportações. Ao mesmo tempo, essa integração expõe o setor a desafios como preços internacionais, custos de insumos, crédito, infraestrutura, logística, clima e saúde animal, que serão determinantes para a sustentabilidade do crescimento agropecuário no estado.
