Identidade cultural na publicidade de Salvador
Salvador carrega uma riqueza cultural que permeia o dia a dia de seus moradores e é percebida também por quem visita a cidade. Expressões típicas, estilos de humor, manifestações musicais, comportamentos e referências históricas formam um repertório único que pode ser explorado pela publicidade para criar conexões mais genuínas com diferentes públicos.
Contudo, esse potencial não se traduz automaticamente em estratégias de comunicação eficazes. A incorporação da identidade local exige escolhas cuidadosas de linguagem, planejamento e um profundo entendimento das diversidades presentes na cidade. No turismo, por exemplo, esses elementos ajudam a apresentar Salvador para quem ainda não conhece a capital baiana, mas precisam ir além da simples reprodução de símbolos e imagens já consagrados.
Relação entre moradores e a comunicação local
Esse uso consciente da cultura impacta também a forma como os próprios habitantes percebem e se relacionam com a cidade. De acordo com Lília Lopes, Diretora de Publicidade da Prefeitura de Salvador, partir de referências do cotidiano pode gerar maior identificação e fortalecer a percepção do lugar onde vivem.
Leia também: Como a Cultura de Salvador Inspira uma Comunicação Livre de Estereótipos
Leia também: Como a Cultura de Salvador Molda uma Comunicação Autêntica e Livre de Estereótipos
“Quando trabalhamos com referências que fazem parte do dia a dia de Salvador, aumentamos as chances de criar identificação. Porém, isso requer um conhecimento real da cidade, pois cultura não se resume a símbolos. Ela está na fala, no comportamento, no consumo, na circulação e na relação das pessoas com os espaços”, destaca.
Desafios para evitar estereótipos e caricaturas
O maior desafio é usar esse repertório cultural sem transformar elementos legítimos em fórmulas publicitárias superficiais. Uma expressão, uma música ou um comportamento podem gerar reconhecimento imediato, mas também podem reduzir a complexidade de Salvador quando retirados do contexto. Para Lília, “Salvador não pode ser resumida a uma única imagem. É uma cidade diversa, com territórios, histórias e modos de vida distintos. Por isso, é fundamental compreender o significado dos elementos culturais para evitar que se tornem caricaturas”.
Humor e música são partes desse repertório que podem fortalecer campanhas, seja para o público local ou para apresentar a cidade a outras audiências. Ainda assim, a escolha deve considerar o contexto e o sentido da mensagem. Não basta inserir uma expressão baiana ou uma canção para afirmar que a comunicação representa Salvador. Quando o contexto existe, a cultura deixa de ser decoração e passa a integrar a narrativa.
Leia também: Prefeitura de Salvador lança edital em homenagem a Wanda Chase para fortalecer cultura afro-brasileira e Carnaval
Leia também: Casa de Cultura Salvador Ligabue celebra 33 anos com programação diversa na Freguesia do Ó
Publicidades e comunicações institucionais mais próximas da diversidade
Na publicidade comercial, essas escolhas ajudam marcas a se aproximarem dos consumidores de forma autêntica. Já na comunicação institucional, o desafio é representar uma cidade que não possui uma identidade única. O repertório cultural de Salvador pode ser uma ferramenta valiosa, desde que baseado em pesquisa, contexto e compreensão dos diferentes públicos.
“A autenticidade está em compreender a cidade antes de tentar traduzi-la. Quanto mais a comunicação conhece as pessoas e as realidades diversas de Salvador, mais capaz ela é de construir mensagens que sejam reconhecidas como verdadeiras por quem vive aqui”, conclui Lília Lopes.
