Crise financeira pressiona Casas Bahia a considerar recuperação judicial
A Casas Bahia anunciou neste domingo (16) que está avaliando alternativas para renegociar suas dívidas, incluindo a possibilidade de entrar com pedido de recuperação judicial ou extrajudicial. A medida surge em meio a um cenário de prejuízos acumulados e elevado endividamento, refletindo dificuldades financeiras que impactam diretamente a operação da rede.
Dívida e prejuízos se acumulam e afetam patrimônio
No segundo trimestre, a empresa apresentou dívida líquida de R$ 1,2 bilhão e um prejuízo de R$ 10,1 bilhões, valor que supera em muito os R$ 555 milhões negativos registrados no mesmo período do ano anterior. Esse resultado negativo deixou o patrimônio líquido da Casas Bahia em R$ 8,1 bilhões negativos. A varejista atribui parte dessas perdas a baixas contábeis, como um abatimento de R$ 5,7 bilhões referente a imposto de renda diferido, ágio, revisões contratuais, reorganização de pessoal e fechamento de lojas.
Redução de lojas e foco em canais mais rentáveis
Para tentar ajustar a estrutura, a Casas Bahia encerrou as atividades de 298 lojas, escolhidas com base em desempenho operacional, necessidade de capital e retorno econômico diante do atual custo de capital. A empresa também está reformulando sua estratégia nos canais digitais para priorizar margem, geração de caixa e retorno sobre o capital investido, em detrimento do crescimento de volume em operações ou categorias que não tragam retorno econômico satisfatório.
Além disso, a companhia revisa os níveis de estoque, sortimento e volume de compras para melhorar o capital de giro e reduzir a necessidade de capital empregado, buscando eficiência financeira e operacional diante do cenário desafiador.
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Prejuízos se estendem por oito trimestres consecutivos
Com o resultado divulgado, a rede acumula oito trimestres seguidos de prejuízos. Essa trajetória negativa vem se agravando com o aumento dos juros, que elevam a despesa financeira, e a inadimplência crescente dos consumidores, fatores que pressionam a saúde financeira da empresa.
Desde o segundo trimestre de 2024, quando a rede entrou em recuperação extrajudicial e ainda reportou lucro, os resultados se deterioraram progressivamente. Inicialmente, os prejuízos eram da ordem de centenas de milhões, mas recentemente ultrapassaram a marca de R$ 1 bilhão por trimestre, evidenciando a profundidade da crise.
Juros altos e endividamento pressionam o varejo brasileiro
O consultor de varejo Alberto Serrentino, sócio da Varese Retail, destaca que a situação da Casas Bahia reflete o impacto do ciclo prolongado de juros reais elevados sobre empresas do setor. “O fator determinante para a situação atual da Casas Bahia é o longo e persistente ciclo de juros muito altos”, observa.
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Fonte: bh24.com.br
Dados recentes de outras varejistas reforçam essa análise. O Magazine Luiza, por exemplo, reportou prejuízo líquido ajustado de R$ 50,4 milhões no segundo trimestre de 2026, revertendo lucro do ano anterior. A Renner e a C&A também enfrentam dificuldades, com metas e resultados abaixo das expectativas dos analistas.
Estrutura de capital fragilizada diante de juros em alta
Segundo Serrentino, a Selic que hoje está em 14% ao ano, estava em 2% entre o final de 2020 e início de 2021. Essa diferença elevou o custo de capital e tornou insustentável o modelo econômico de empresas que operam com margens estreitas e alta competição.
“Quando os juros subiram repentinamente, a estrutura de capital dessas companhias não suportou mais seus modelos econômicos”, explica. Essa realidade exige que o setor ajuste operações e busque alternativas para manter a sustentabilidade financeira em um ambiente de consumo desaquecido e famílias endividadas.
