Europa lidera aquecimento global com ritmo acelerado
A Europa vem experimentando um aquecimento muito mais rápido do que todos os outros continentes nas últimas décadas, o que explica a crescente frequência e intensidade das ondas de calor que afetam a região. Essa realidade foi destacada em uma reportagem do jornal norte-americano The New York Times, publicada nesta semana, durante o segundo episódio de calor extremo recorde na Europa Ocidental em apenas um mês.
De acordo com os dados do serviço europeu de monitoramento climático Copernicus, a temperatura média da Europa tem subido cerca de 0,56°C por década desde meados dos anos 1990. Esse índice é mais do que o dobro da taxa média de aquecimento global registrada no mesmo período, evidenciando um processo acelerado no continente.
Fatores regionais e globais que impulsionam o aquecimento
Assim como ocorre em outras partes do planeta, o principal motor desse aquecimento na Europa é o aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera, resultado direto da queima de combustíveis fósseis e atividades humanas diversas. No entanto, aspectos regionais contribuem para que o ritmo europeu seja ainda mais acelerado.
Um fator crucial está ligado ao derretimento acelerado do gelo marinho no Ártico. Com a redução das áreas cobertas pelo gelo, a superfície escura do oceano fica mais exposta, absorvendo uma quantidade maior de radiação solar e intensificando o aquecimento local. Durante o inverno, essa dinâmica também traz temperaturas atípicas para a Europa, ampliando os efeitos no continente.
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Fonte: rjnoar.com.br
Outro ponto importante é a redução da poluição atmosférica. Ao longo das últimas décadas, políticas ambientais europeias conseguiram diminuir significativamente as emissões industriais. Embora essa melhora tenha impacto positivo na qualidade do ar, ela também reduziu a quantidade de aerossóis — partículas que refletem parte da radiação solar de volta ao espaço, ajudando a resfriar a atmosfera. Com menos aerossóis, mais energia solar fica retida próximo à superfície terrestre.
A cobertura de neve no continente também apresenta declínio. Dados do Copernicus indicam que, em 2025, a área coberta por neve durante o pico anual foi cerca de um terço menor que a média histórica. Essa redução expõe mais solo, especialmente em regiões como Escandinávia e a parte europeia da Rússia, que absorve mais calor, contribuindo para o aquecimento.
Ondas de calor mais longas e intensas na Europa
Essas transformações na superfície terrestre e oceânica alteram a dinâmica atmosférica da região. Pesquisas citadas pelo The New York Times revelam que o aquecimento acelerado do Ártico diminui a diferença de temperatura entre o Polo Norte e o Equador, um fator essencial para o funcionamento dos sistemas meteorológicos do Hemisfério Norte. Essa mudança pode afetar a corrente de jato (jet stream), uma faixa de ventos fortes que direciona os sistemas climáticos.
Estudos recentes indicam que a corrente de jato tem se dividido com maior frequência em dois ramos sobre a Europa. Essa divisão cria uma zona de ventos mais fracos entre os ramos, o que favorece a permanência de massas de ar quente por períodos prolongados. Em vez de ondas de calor durarem apenas alguns dias, esse bloqueio atmosférico pode estender esses eventos por semanas.
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Fonte: edemossoro.com.br
Um estudo de 2022, citado pelo jornal, atribui grande parte do aumento na frequência e intensidade das ondas de calor na Europa Ocidental a esse fenômeno conhecido como “corrente de jato dupla”. Ainda que não haja consenso científico sobre o quanto as mudanças climáticas humanas tornam esse fenômeno mais comum, especialistas concordam que o aquecimento global eleva as temperaturas de base, intensificando os eventos extremos.
Recordes históricos de temperatura e a perspectiva científica
A onda de calor atual na Europa já bateu recordes em diversos países. No Reino Unido, por exemplo, a temperatura chegou a cerca de 35,5°C nesta semana, marcando o dia mais quente registrado para o mês de junho no país.
Cientistas estão analisando dados de países como França e Reino Unido para avaliar o quanto as mudanças climáticas aumentaram a probabilidade de eventos extremos dessa magnitude. Em entrevista ao The New York Times, a climatologista Lizzie Kendon ressaltou que, apesar de novos recordes serem esperados em um planeta em aquecimento, o que impressiona é a diferença expressiva com que as marcas anteriores vêm sendo superadas.
