Interdição do Saguão do IGHB e o Descaso com a Cultura Baiana
O instituto geográfico e histórico da Bahia (IGHB), localizado na Avenida Sete, vive um momento delicado. Há quase um ano, o saguão do instituto permanece interditado devido a uma fissura na cúpula do prédio, construído no estilo Eclético Italiano. Sem recursos para a realização das obras necessárias, o espaço que já foi palco de eventos culturais memoráveis, como lançamentos de livros e saraus, está fechado e com acesso restrito.
O saguão, que também funciona como salão nobre, abriga uma valiosa coleção de quadros a óleo retratando governadores e intelectuais benfeitores da Bahia. No entanto, a falta de manutenção e o abandono colocam em risco a preservação desse patrimônio cultural tão importante para a memória da região.
Contexto Histórico e Situação Atual do IGHB
Fundado em 13 de maio de 1896, o IGHB tem uma trajetória marcada por apoio e reconhecimento, especialmente durante o governo de José Joaquim Seabra (JJ Seabra), quando o prédio da Avenida Sete recebeu recursos significativos e foi inaugurado em 2 de julho de 1923. Na época, instituições culturais contavam com doações de empresários, como foi o caso do Mosteiro de São Bento, refletindo um compromisso social com a cultura baiana.
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Hoje, porém, o cenário é diferente. O acesso principal à casa está bloqueado, e visitantes precisam entrar pelos fundos, onde a Avenida Sete é tomada por camelôs e vendedores ambulantes. Um cartaz na entrada clama: “Não deixe essa luz se apagar”, acompanhado de uma conta bancária para quem desejar contribuir com a recuperação do espaço.
Desafios Políticos e a Busca por Soluções
Além da falta de recursos, o IGHB enfrenta uma perseguição política que dificulta seu funcionamento. A instituição é vista por parte do governo estadual como um espaço politizado, o que tem limitado o apoio oficial. O atual governador Jerônimo Rodrigues é o primeiro a não oferecer suporte ao IGHB, algo que ficará marcado na história da instituição.
Apesar das adversidades, o IGHB não se rendeu. A entidade recorreu à Justiça para garantir a verba de direito destinada às obras e tem obtido decisões favoráveis, embora ainda não tenha recebido os fundos necessários para iniciar os reparos. O desafio inclui também a ampliação e modernização da biblioteca, que atualmente não comporta mais o acervo, incluindo obras de autores baianos, por falta de espaço adequado.
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O caso do IGHB reflete uma crise que vai além da estrutura física, revelando a fragilidade do compromisso com a cultura e o patrimônio na Bahia. A luta pela preservação de espaços como este é fundamental para manter viva a história e a identidade cultural da região, garantindo que futuras gerações possam ter acesso a esse legado.
Enquanto a questão permanece sem solução, o público cultural e a sociedade baiana acompanham atentos as próximas etapas dessa batalha pela valorização e preservação do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia.
