Uma Viagem pelas memórias da Bahia
Em 1969, em um momento que precedeu seu exílio forçado pela ditadura militar, Gilberto Gil lançou “Aquele abraço”, como uma espécie de despedida poética, capturando a essência do Rio de Janeiro, com suas paisagens vibrantes e a vida pulsante que persistia mesmo em tempos difíceis. Na noite de 20 de junho daquele ano, no Teatro Castro Alves, em Salvador, os baianos se uniram em um tributo à despedida de Gil e Caetano Veloso. Essa cena foi reimaginada pela escritora e tradutora norte-americana Tracy Mann em seu livro *O mundo todo é Bahia*, título inspirado nas palavras de Gil. A obra, agora traduzida por Santiago Nazarian, contém ecos poéticos que refletem o impacto da cultura baiana na vida de Mann.
O livro de memórias narra a trajetória da autora desde sua chegada ao Brasil nos anos 70, entrelaçando experiências pessoais com acontecimentos históricos que moldaram um período de intensa criatividade e efervescência artística. Mann, que veio de Nova Jersey como estudante de intercâmbio, transitou da elite paulista à vibrante cena musical de Salvador, passando rapidamente pelo Rio de Janeiro. Sua vivência durante a ditadura militar reverbera nas páginas da obra, que mescla a subjetividade da autora a importantes fragmentos da história brasileira.
Atualmente, Tracy Mann é reconhecida como a “embaixadora do Brasil” no SXSW (South by Southwest), um dos principais festivais de inovação e cultura do mundo, realizado anualmente em Austin, no Texas. Desde sua primeira visita ao país, em 1976, ela mantém um vínculo forte com o Brasil. *O mundo todo é Bahia* não apenas narra o encantamento que a autora sentiu ao chegar, mas também oferece uma visão íntima das experiências que solidificaram sua relação duradoura com a cultura brasileira.
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