A Difícil Decisão de Vilson Kleinubing
No começo da década de 1990, os cidadãos de Blumenau demonstravam, por meio de diversas pesquisas, um forte apoio à candidatura de Vilson Kleinubing ao cargo de governador. Aqueles que o apoiavam no cargo de prefeito acreditavam que sua eventual renúncia seria compensada pela chance de ter um governador oriundo de Blumenau. Assim, respaldavam sua decisão de deixar a prefeitura em abril para seguir a nova trajetória política.
Naquele contexto, a urgência por recursos era palpável. O então prefeito Kleinubing precisava acelerar a execução de várias obras prometidas em seu Plano de Governo, elaborado em 1988, que ainda aguardavam autorização para serem iniciadas. Essas obras estavam programadas para os três anos restantes de seu mandato, tempo que, na prática, já não existiria.
A Busca por Recursos Federais
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Fonte: ocuiaba.com.br
Com o governo de Fernando Collor, Kleinubing já havia tentado obter verbas do Governo Federal, conseguindo, em parte, um resultado positivo. Uma das realizações mais esperadas era a construção da Ponte do Tamarindo, que recebeu um aporte significativo de NCz17 milhões (equivalente a 17 milhões de Cruzados Novos) no Orçamento Geral da União. Essa ponte era uma das prioridades da gestão municipal.
Além disso, Kleinubing tinha grandes planos para a cidade, como o alargamento da rua Bahia, um projeto fundamental para o desenvolvimento de novas áreas urbanas. Ele também trabalhava em um pré-projeto para a ligação entre Garcia e o Centro, uma reivindicação antiga da população que ainda não havia encontrado uma solução efetiva.
O Conturbado Encontro com o Governador
Perante a escassez de alternativas, a possibilidade de buscar recursos junto ao Governo do Estado, embora complicada, começou a ganhar força. O então governador, Casildo Maldaner, do PMDB, que havia assumido o cargo interinamente pela quarta vez em janeiro de 1990 devido à grave enfermidade do governador titular, Pedro Ivo Campos, era visto como um potencial aliado — ou adversário — na luta por verbas.
Com a iminente eleição para o governo do estado, a situação tornava-se ainda mais delicada. O partido de Maldaner provavelmente apresentaria um candidato forte, e esse rival poderia ser Kleinubing, que já se preparava para disputar o cargo. A dúvida que pairava era se o governador interino estaria disposto a apoiar um potencial concorrente.
Expectativas e Estratégias
Kleinubing discutiu suas preocupações comigo antes de se encontrar com o governador. A negativa de apoio a obras essenciais em um município tão relevante poderia trazer problemas para Maldaner, principalmente em um cenário político onde a recusa poderia ser utilizada contra ele, especialmente por Kleinubing, que se tornaria seu oponente nas eleições.
Apesar das incertezas e da escassez de recursos para a Prefeitura, o prefeito decidiu avançar com a solicitação de uma audiência. O pedido foi enviado para o Governo do Estado, e, enquanto aguardávamos um retorno de Florianópolis, alimentávamos a imprensa com informações sobre a expectativa de uma resposta positiva.
Após algumas delongas, finalmente a audiência foi confirmada, trazendo uma nova luz às esperanças de Blumenau.
Próximos Passos
A conversa prometia ser um marco na história política de Kleinubing, e todos estavam ansiosos para saber como se desenrolaria o encontro entre o prefeito do PFL e o governador do PMDB. A expectativa em torno da reunião refletia não apenas a busca por recursos, mas também os desafios e dilemas que permeavam a política catarinense da época.
